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1 de dezembro de 2025
Por Anna Scabello
Os impulsos fiscais e de crédito promovidos pelo governo federal recentemente devem estimular de forma artificial a atividade em 2026, contribuindo para pressionar a economia e a inflação do período. Com isso, economistas consultados pela Broadcast avaliam que deve ter uma entrada adicional na receita. A dívida bruta, em contrapartida, deve ser novamente pressionada por esses impulsos, observam.
O economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, avalia que os estímulos fiscais e creditícios podem acrescentar em torno de 0,7 ponto porcentual ao Produto Interno Bruto (PIB) do próximo ano, estimado em 1,7%. Com isso, a arrecadação deve ter um incremento de R$ 21 bilhões na receita total e de R$ 17,5 bilhões na receita líquida.
“É importante lembrar que a estimativa é feita a partir do cálculos de que cada 1 ponto porcentual de crescimento do PIB aumenta a receita total em R$ 30 bilhões e a receita líquida, após as transferências, em R$ 25 bilhões”, ressalta.
Já o economista Renan Martins, da 4intelligence, aponta que os estímulos devem contribuir com 0,3 ponto porcentual no PIB de 2026, resultando em um crescimento de 2% no período, acima do apontado pela mediana da pesquisa Focus, que indicou expansão de 1,78% no último levantamento, divulgado na segunda-feira, 24. A partir da dinâmica traçada, Martins prevê a entrada adicional de cerca de R$ 15 bilhões em 2026.
Dívida bruta
Os economistas reforçam, no entanto, que a implementação de uma política fiscal que estimula a atividade contribui para manter a taxa de juros, hoje em 15%, elevada por mais tempo. “Desse modo, diretamente, via resultados primário mais fracos, e indiretamente, pelo efeito sobre a política monetária, entende-se porque a dívida bruta deverá crescer 12 pontos porcentuais do final de 2022 até o final de 2026”, afirma o head de macroeconomia do ASA, Jeferson Bittencourt. “Isso colocará este indicador em patamar só visto quando foi necessário utilizar os instrumentos de política fiscal para enfrentar a pandemia”, frisa.
Nos cálculos de Bittencourt, na comparação do segundo semestre deste ano com o mesmo período de 2024, o crescimento real da despesa primária pode superar 9%. O head do ASA observa que no primeiro semestre de 2026, pela mesma base de comparação, é esperada nova aceleração dos gastos públicos, principalmente pelas discricionárias, com as restrições que se impõem para a execução da despesa pela proximidade do período eleitoral.
Na mesma linha, o economista Ítalo Franca, do Santander Brasil, espera uma pressão entre três a quatro pontos porcentuais para a dívida, devido ao aperto monetário. A dívida em 12 meses, segundo ele, ainda deve continuar subindo à frente com a Selic em 15%, além de ainda ser dependente do câmbio, com a possibilidade de menos ganhos de swap. “O grande ponto será o debate sobre a quantidade de estímulos com a necessidade de um ajuste da dívida um pouco mais forte e o custo que será carregado mais à frente, em 2027”, diz.
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