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16 de fevereiro de 2026
Por Aline Bronzati, correspondente
Nova York – O Brasil tem se beneficiado da rotação global de investimentos, impulsionada pelas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Das pressões para que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) baixe os juros às ameaças tarifárias a aliados comerciais, as decisões de Washington levam investidores a repensar a sobreexposição ao excepcionalismo americano e geram uma nova onda de recursos para ativos emergentes.
Como consequência, o Brasil ampliou sua participação em fundos globais. O peso do País no índice MSCI Emerging Markets (MSCI EM) – uma das principais referências para investidores estrangeiros – subiu para 4,63% no fim de janeiro, ante 4,32% em dezembro. Trata-se da maior fatia desde outubro de 2021, segundo dados da MSCI Inc. compilados para a Broadcast.
Como o Brasil tem uma participação pequena em portfólios globais, qualquer movimento que os investidores façam é suficiente para se refletir nos preços dos ativos domésticos, diz um gestor em Nova York. “As eventuais cascas de banana dos Estados Unidos viraram um período de bonança para o Brasil”, diz, na condição de anonimato. “Não é que o barquinho do Brasil foi super bem, é que a maré, onde o barquinho do Brasil está, subiu e todos os barcos subiram”, acrescenta.
Ao menos até aqui, o fluxo que vem do exterior para o Brasil ainda é “muito pequeno”, segundo o diretor de macroeconomia para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. No acumulado do ano, a entrada líquida de capital externo na B3 está positiva em mais de R$ 33 bilhões. O Brasil está surfando na onda externa, com dólar enfraquecido, juros em queda, inflação mais baixa e commodities em alta, mas não há um movimento de sell America, na visão de Ramos.
“O que existe é diversificação. Os investidores não estão vendendo Estados Unidos para comprar Brasil ou outros mercados emergentes. Eles já estavam sobreexpostos aos EUA por causa do excepcionalismo americano e, hoje, não querem ter todos os ovos na mesma cesta”, afirma o economista do Goldman Sachs, em entrevista à Broadcast.
Tanto é que o ponteiro do Brasil no MSCI se mexeu no início do ano, mas, ainda assim, o País segue muito longe dos tempos áureos de quando detinha o grau de investimento. Na ocasião, seu peso chegou a representar 17% do MSCI EM, posição que hoje permitiria que o Brasil desbancasse a Índia e a Coreia do Sul no índice, galgando a terceira maior fatia individual no índice.
De acordo com o economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, há certamente alguma cautela em relação aos EUA e um aumento nos fluxos para os mercados financeiros de economias emergentes, incluindo o Brasil, e a narrativa sell America faz parte deste contexto. No entanto, para ele, mesmo isolando este efeito, o cenário para a região é positivo.
“Os mercados financeiros de países emergentes tiveram um desempenho superior no ano passado, após muitos anos de performance inferior, o que acho que gerou um interesse renovado nos fundos globais de ampliarem sua exposição”, diz Jackson, à Broadcast. E o cenário econômico global, no qual os riscos econômicos e financeiros estão relativamente contidos, contribui para um “otimismo renovado”, acrescenta.
Ed Yardeni, da Yardeni Research, baseada em Nova York, observa que o MSCI USA continua a ter um desempenho inferior no ‘Global MSCI Derby’ neste ano como em 2025. O termo é utilizado pelo economista para descrever a competição de desempenho entre diferentes índices de ações mundiais geridos pela MSCI Inc., em especial, países desenvolvidos frente a emergentes e o mundo. “Até o momento, os destaques no ‘Global MSCI Derby’ foram Coreia do Sul, Brasil, México, Taiwan e Japão”, diz. “Todos eles, com exceção do Japão, estão incluídos no índice MSCI de Mercados Emergentes”, acrescenta.
A visão da Capital Economics para os mercados emergentes é “cautelosamente positiva”. “O cenário econômico é relativamente benigno, mas achamos que os preços das commodities vão cair dos níveis recentes e o dólar vai se fortalecer”, alerta Jackson.
Esse otimismo cauteloso em meio à liquidação de ações do setor de software ficou evidente nas aberturas de capitais (IPO, na sigla em inglês) de empresas brasileiras em Nova York nas últimas semanas. Primeiro, o PicPay, controlado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, conseguiu precificar suas ações no ponto alto da faixa indicativa. No entanto, desde então, os papéis do banco digital amargam perdas de mais de 20% desde o IPO, no fim de janeiro, em meio à forte liquidação de ações de software em meio ao temor em torno dos impactos que a inteligência artificial (IA) deve causar à frente.
Na sequência, o gaúcho Agibank já enfrentou um investidor mais seletivo para listar suas ações em Nova York, nesta semana. Para emplacar a operação, o banco, especializado em crédito consignado, teve de diminuir sua oferta e também o intervalo de preço almejado. Ainda assim, as ações estrearam em queda na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), na última quarta-feira, dia 11. Na visão de gestores ouvidos pela Broadcast, não há uma preocupação com o Brasil, mas com o segmento de software devido aos temores em torno da IA.
O fundador do Agibank, Marciano Testa, diz que o investidor estrangeiro ainda tem bastante entusiasmo pelo Brasil, o que pode beneficiar o País na atração de fluxo à frente em meio ao maior apetite por diversificação geográfica diante das políticas de Trump. Mas, para isso, precisa fazer a lição de casa do lado fiscal. “É prioritário e importante para o País”, alerta.
Por ora, investidores estrangeiros concentram-se mais no início da queda dos juros, prevista para março, do que na corrida ao Planalto, dizem interlocutores. Segundo Alberto Ramos, do Goldman Sachs, o investidor estrangeiro vê pouca diferença entre uma reeleição ou a troca de governo no Brasil. “No curto prazo, manter pequena exposição ao Brasil em um portfólio global faz sentido. Se o cenário piorar, inclusive por causa da disputa nas urnas, o investidor repensará a posição”, alerta o economista.
Contato: aline.bronzati@estadao.com
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