Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Especial: BC hawkish e sem pressa reduz chance de corte da Selic em 2025

18 de setembro de 2025

Por Eduardo Laguna, Arícia Martins e Daniel Tozzi

Sem promover mudanças significativas, o Comitê de Política Monetária (Copom) entregou o que dele se esperava: um comunicado sem grandes emoções, ou até mesmo entediante, como alguns economistas imaginavam. Ainda que o Federal Reserve tenha dado, poucas horas antes, um refresco ao cortar os juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto porcentual, o colegiado de diretores do Banco Central (BC) mostrou, ao fim da reunião desta quarta-feira, 17, que segue preocupado com a desancoragem das expectativas, atento ao mercado de trabalho aquecido e, consequentemente, sem pressa em começar a cortar os juros, estacionados em 15%.

Segundo a maioria das análises coletadas pela Broadcast após a decisão de hoje, a leitura é de que o BC mantém o tom duro – ou hawkish, no jargão do mercado – em sua comunicação, o que ajuda a enfraquecer, no radar dos investidores, a chance de Selic mais baixa ainda este ano. Agora, faltam apenas mais duas reuniões do Copom: a próxima em novembro, nos dias 4 e 5; e a última do ano, em dezembro, nos dias 9 e 10.

No trecho que atraía mais atenções, o BC manteve a indicação de que segue disposto a manter os juros altos por período “bastante prolongado”. Era o que três a cada quatro agentes do mercado financeiro esperavam, conforme mostrava, antes da reunião, uma pesquisa do BTG Pactual. Retirar a indicação seria visto como uma senha de que os juros poderiam começar a cair nos próximos encontros do Copom, reduzindo assim a liberdade de ação do BC.

Também foi confirmado, como esperado, a retirada da menção sobre a pausa no ciclo de alta da Selic, um mero ajuste na comunicação, sem grande importância em relação aos próximos passos do Copom.

Por outro lado, mesmo com a valorização do real, melhora da inflação corrente e a queda nas expectativas do mercado, o Copom não recuou um triz em seus prognósticos à inflação no cenário de referência. Segue prevendo o IPCA em 3,4% – portanto, acima da meta central de 3% – no primeiro trimestre de 2027, onde termina o horizonte relevante da política monetária.

Para o economista do Santander Marco Antonio Caruso, pode ser que o BC tenha revisado sua estimativa ao hiato do produto. Em outras palavras, a diferença entre o crescimento e o potencial da atividade econômica pode ser maior do que a autoridade monetária calculava antes. Se for assim, avalia Caruso, o IPCA estimado para o segundo trimestre de 2027, que passará a ser o horizonte relevante para decisões de política monetária no último trimestre do ano, “dificilmente” estará ao redor da meta de 3%, reduzindo as chances de cortes na Selic ainda em 2025,

Economista-chefe da XP, Caio Megale avalia que o Copom referendou a visão de que dificilmente haverá cortes de juros no curto prazo. “A cabeça do Copom hoje é para cortes para depois de janeiro do ano que vem. Ele está claramente jogando com a possibilidade de pensar na flexibilização da política monetária só no primeiro trimestre de 2026, e não para o curto prazo”, comentou Megale.

Para a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, o comitê preserva em sua comunicação um tom “bem hawkish”, sem dar espaço ao debate sobre redução da Selic no curto prazo. Ainda que a Selic esteja em patamar bastante restritivo, Rafaela entende que a possibilidade de corte de juros ainda em 2025 ficou mais distante. “Com expectativas desancoradas e mercado de trabalho robusto, o comitê indica que não deve ter pressa em iniciar a discussão sobre redução na Selic”, avalia a economista-chefe do Inter.P

Veja também