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EPE: consumo de energia elétrica cai 1,1% em fevereiro, na comparação anual

31 de março de 2026

Por Luciana Collet

São Paulo, 31/03/2026 – O consumo nacional de eletricidade totalizou 47.343 gigawatts-hora (GWh) em fevereiro deste ano, queda de 1,1% comparado ao registrado em fevereiro de 2025, informou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em sua resenha mensal. Efeito calendário e temperaturas mais amenas ajudam a explicar o desempenho, que interrompeu a tendência de alta dos três meses anteriores. Com o recuo, no acumulado em 12 meses o consumo nacional somou 564.222 GWh, praticamente estável (+0,1%) frente o período anterior.

No recorte por regiões geográficas, somente Norte (+4,7%) e Nordeste (+0,3%) expandiram o consumo em fevereiro, enquanto Centro-Oeste (-0,5%), Sul (-1,3%) e Sudeste (-2,4%) tiveram retração.

Na avaliação por classes de consumo, as residências reduziram sua demanda por energia elétrica em 1,2%, para 15.796 GWh. De acordo com a EPE, o resultado está associado ao ciclo de faturamento reduzido em algumas distribuidoras, além de temperaturas mais baixas e maior volume de chuvas em grande parte do País.

Na avaliação por estado, Rio de Janeiro, que anotou alto volume pluviométrico em fevereiro, registrou a maior baixa de consumo residencial, de 12,5%, seguido por Bahia (-8,1%), Distrito Federal (-6,5%), Rio Grande do Norte (-6,1%) e Rio Grande do Sul (-5,0%). Destaque, ainda, para a baixa de 2,7% em São Paulo, maior mercado consumidor residencial, que teria apresentado crescimento de 1,4% se ajustado ao ciclo de faturamento da distribuidora.

As indústrias apresentaram retração de 1,1% no consumo de eletricidade em fevereiro, para 15.727 GWh. Entre os 37 setores monitorados da indústria, 27 reduziram o consumo, informou a EPE. Dentre os dez setores mais eletrointensivos, sete consumiram menos, sendo que a metalurgia foi o setor que mais contribuiu para a queda do consumo da indústria, com uma redução de 204 GWh, ou 5,2%.

Produtos químicos (-89 GWh, ou -5,8%) foi o segundo setor que mais reduziu o consumo, refletindo a hibernação de uma unidade eletrointensiva de produção de cloro-soda em Alagoas, mas também pela contribuição da retração em São Paulo e Minas Gerais. Também apresentaram queda os setores: automotivo (-5,4%; -31 GWh), produtos de borracha e material plástico (-2,0%; -19 GWh), têxteis (-3,2%; -16 GWh), produtos de minerais não-metálicos (-1,0%; -12 GWh) e produtos de metal (-6,0%; -1,9 GWh).

Por outro lado, o consumo cresceu nos setores de extração de minerais metálicos (+17,4%; +194GWh); na fabricação de produtos alimentícios (+2,3%; +53 GWh), e em papel e celulose (+6,4%; +51 GWh).

Por fim, a classe comercial consumiu demandou 9.159 GWh em fevereiro, o que representa um leve aumento de 0,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Para a EPE, o comportamento foi sustentado pelo desempenho do comércio e dos serviços, tendo em vista indicadores econômicos divulgados pelo IBGE, mas limitado por condições climáticas mais amenas.

Mercado livre x mercado cativo

O desempenho foi diferente entre os ambiente de contratação de energia. O mercado regulado, das distribuidoras, teve queda no consumo de 4,0%, para 26.391 GWh, respondendo por 55,7% do consumo nacional. A queda foi verificada a despeito do aumento de 1,3% no número de consumidores em fevereiro.

Já o mercado livre, em que o consumidor escolhe seu fornecedor de energia, apresentou crescimento de 2,9%, para 20.952 GWh, o que corresponde a 44,3% do consumo nacional. O número de consumidores que aderiram a este modelo de contratação cresceu 28,3% na comparação anual.

Desde janeiro de 2024, o ambiente de contratação livre (ACL) vem passando por forte expansão, impulsionado pela abertura do segmento para todos os consumidores do grupo A (alta tensão). Segundo a EPE, houve migração de 26 mil consumidores para o ACL em 2024 e outros 19 mil em 2025. A previsão é que mais 10 mil consumidores realizem o mesmo movimento em 2026.

Contato: luciana.collet@estadao.com

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