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25 de setembro de 2025
Por Caroline Aragaki e Anna Scabello
O Inter antecipou sua revisão de cenário à Broadcast, com destaque para postergação do início do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central (BC) de dezembro de 2025 para janeiro de 2026, considerando que o comunicado e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) foram mais duros do que o esperado e porque há incertezas fiscais em 2026 – com a eleição presidencial potencialmente aumentando os gastos do governo, o que pode afetar o cenário desinflacionário em curso.
A economista-chefe Rafaela Vitória crava, em entrevista, que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem predisposição maior para gastar mais do que os últimos dois governos, por exemplo. “Estimamos que o governo feche 2026 com um crescimento médio de 5% dos gastos acima da inflação, enquanto a média no período de 2016 a 2022 foi de 1%, mesmo com a pandemia”, disse.
Confira os principais trechos da entrevista:
Broadcast: Na revisão de cenário agora de setembro, vocês postergaram o início do ciclo de flexibilização pelo Banco Central de dezembro de 2025 para janeiro de 2026. Por quê?
Rafaela Vitória: Ainda vemos espaço para corte na Selic por conta da taxa de juros bastante restritiva e do processo de desinflação em curso, com o câmbio contribuindo para a desinflação de bens industriais. Mas o comunicado e a ata do Copom foram mais duros, no sentido de manter a taxa de juros mais alta por mais tempo e deixando claro que a desancoragem das expectativas é um ponto de desconforto. Nesse cenário, não vemos espaço para queda nas expectativas de inflação de longo prazo, muito por causa da incerteza para 2026. Então mesmo que a gente ache que BC poderia cortar juros, não fará agora. O mais provável é corte em janeiro.
Broadcast: O Copom, então, deve iniciar o ciclo de cortes na Selic em janeiro com que ritmo? E terminar com a taxa a que nível?
Vitória: Não alteramos a Selic terminal, que segue em 12% ao ano. Então temos expectativa de um corte de 300 pontos-base em 2026, iniciando janeiro com uma redução de 25 pontos-base. Começamos a um ritmo mais lento, e acelerando mais ou menos no meio do ano.
Broadcast: Essa incerteza para 2026, que menciona como uma trava para que as expectativas de inflação de longo prazo caiam, está relacionada ao que?
Vitória: A incerteza para 2026 está relacionada a fiscal principalmente, e também eleição. Tem pressão de mais gastos por causa de eleições e Orçamento final ainda não está aprovado, mas existem muitas propostas de gastos fora da meta. A gente estima déficit de 0,8% para 2026 incluindo todos os gastos, sem considerar precatórios, então caso tenha aceleração de gastos, pode ser que a demanda continue aquecida e a inflação, mais persistente. Se tivermos piora no quadro fiscal, pode ter impacto no câmbio e trazer aceleração da inflação.
Broadcast: O mercado comenta muito sobre como, historicamente, os governos costumam gastar mais em anos eleitorais. Essa pressão de gastos por causa das eleições, que mencionou, está mais relacionada a esse contexto histórico ou há um receio maior com o governo atual?
Vitória: Historicamente vemos pressão, sim. Mas especialmente nesse governo houve um aumento de gastos nesses primeiros três anos que mostra que o governo tem predisposição maior para gastar mais do que os últimos dois, por exemplo. Estimamos que o governo feche 2026 com um crescimento médio de 5% dos gastos acima da inflação, enquanto a média no período de 2016 a 2022 foi de 1%, mesmo com a pandemia. Já a média de 2006 a 2015 foi de 6%.
Broadcast: Mesmo considerando essa expectativa de aumento de gastos, o governo conseguirá cumprir com a meta fiscal de 2026?
Vitória: Sim, mantivemos a projeção de déficit de 0,4% do PIB em 2025 e de déficit 0,8% do PIB em 2026, incluindo o pagamento de precatórios, cumprindo a meta porque está dentro do limite.
Broadcast: Que outras revisões de cenário o banco Inter decidiu fazer, e por quê?
Vitória: Fizemos um pequeno ajuste na revisão de inflação para 2025, de 4,8% para 4,7% por causa do câmbio, que revisamos de R$ 5,55 para R$ 5,40, e por conta da política monetária mais restritiva por mais tempo. Também revisamos o IPCA de 2026 de 4,2% para 4,1%.
Broadcast: E essa revisão do câmbio considera que fatores?
Vitória: A revisão de câmbio é mais por conta da queda do dólar lá fora, dinâmica externa, com expectativa de queda de juros pelo Federal Reserve. A visão de que os juros serão menores nos EUA tem levado a um dólar mais fraco.
Broadcast: Qual a expectativa para cortes no Fed? Houve alguma alteração?
Vitória: Mantemos a expectativa de dois cortes pelo Fed em 2025, [um já foi agora em setembro], então mantemos o skip em novembro e o corte em dezembro. O Fed deu uma priorização na medida de emprego, então vemos que o mercado de trabalho mais fraco tem sido relevante para a política monetária nos EUA, mas temos mais incerteza sobre a inflação hoje do que sobre a atividade econômica dos EUA.
Broadcast: Por fim, qual é a expectativa para a atividade econômica do Brasil?
Vitória: Não alteramos nossa expectativa, acreditamos que podemos ter um PIB levemente negativo no terceiro trimestre, de cerca de -0,2%, mas ainda mantemos projeção de que encerrará o ano em 2%. Para 2026, nossa expectativa é de crescimento do PIB de 1,8%.
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