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16 de março de 2026
Por Caroline Aragaki e Maria Regina Silva
São Paulo – O apetite dos investidores estrangeiros por ativos do Brasil diminuiu desde que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou. Ainda assim, o País e o México aparecem como os mercados emergentes mais beneficiados pela disparada recente do petróleo e, historicamente, conflitos que envolvem energia são resolvidos relativamente rápido, avalia Juliano Arruda, diretor de renda variável para a América Latina do Goldman Sachs, em entrevista à Broadcast.
O mercado futuro de petróleo indica que os investidores apostam em um conflito de curta duração. Os riscos de um aumento da inflação com o barril da commodity mais elevado e o consequente efeito sobre os juros globais são pontos de atenção, pondera Arruda. Por ora, o Goldman Sachs destaca que a velocidade de entrada do fluxo de capital internacional para o País diminuiu durante a guerra, que começou em 28 de fevereiro, mas chama a atenção por não ter havido saída, como nos mercados emergentes como um todo. Confira os principais trechos da entrevista:
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Foto Divulgação: Goldman Sachs
Broadcast: Houve uma redução gradual no fluxo de investimento estrangeiro direcionado ao Brasil. Quais riscos os conflitos no Oriente Médio impõem?
Juliano Arruda: O choque de oferta em preços de energia normalmente tem duas fases. A primeira é uma arrumação de posicionamento, junto com uma preocupação sobre a duração do choque. Eventualmente tem impacto na inflação e na política monetária, acho que estamos nesse momento. O segundo momento acontece quando o petróleo chega ao seu nível máximo de preço, começa uma inflexão e entra em um impacto de termos de troca. Entre os mercados emergentes maiores que o Goldman Sachs acompanha, Brasil e México são os que mais se beneficiam do ponto de vista de crescimento nos preços de energia, isoladamente. Mas têm que lidar com inflação e outras questões também. Para o Brasil, é muito difícil fazer um prognóstico.
Broadcast: Com base nos desdobramentos de preço do petróleo até então, com o Brent chegando a US$ 119 por barril no intraday na segunda-feira, qual análise é possível traçar?
Arruda: A disrupção que tivemos no mercado de petróleo até agora, pela quantidade do que passa pelo Estreito de Ormuz, é 17 vezes maior do que a que tivemos em 2022. O estreito é uma avenida muito importante. Mas o veredicto vai se dar muito na questão da duração desse impacto. Em números, dados da B3 mostram que o primeiro impacto da guerra vem com uma diminuição de apetite. No Brasil não houve saída de fluxo, diferente do que aconteceu com os mercados emergentes como um todo.
Broadcast: Sem sinal de quando o petróleo vai estabilizar, a volatilidade deve continuar?
Arruda: O preço do petróleo é muito importante para todas as economias. Mas a curva do preço do petróleo – existe um preço do petróleo de curto prazo e outro de longo prazo – dá a entender que o mercado assume que o conflito não vai durar muito tempo. Historicamente, esses conflitos que envolvem energia tendem a se resolver relativamente rápido.
Broadcast: Há relatos de que o ingresso de capital estrangeiro tem ocorrido via ETFs (fundos de índice). Em algum momento, esse fluxo deve se tornar mais pontual, com foco em ações específicas?
Arruda: Com momentos de volatilidade maior e muita incerteza doméstica no Brasil, em que o juro ainda precisa cair e tendo uma eleição que se avizinha, há muita coisa para acontecer. Para entrar no momento em que a vontade do investidor estrangeiro vai ser olhar mais no detalhe, empresas e histórias específicas, é uma segunda fase. Ainda mais em um ambiente em que a volatilidade sobe, é o contrário. O investidor tende a ficar em produtos com mais liquidez, com índice. Em proporção da cesta, acho que os ETFs vão continuar bem relevantes.
Broadcast: Em múltiplo Preço por Lucro (P/L), é possível estimar quanto o índice tem de espaço para subir?
Arruda: O múltiplo do mercado brasileiro está esticado em relação à média histórica. Há papers com números que apontam o indicador em torno de dez vezes em alguns recortes, enquanto a referência histórica ficaria mais perto de seis vezes. O nível atual é elevado e reflete, em parte, prêmios ainda altos embutidos nos preços dos ativos. Se o MSCI negocia entre 12 a 13 vezes, uma queda do prêmio de risco poderia levar a uma reprecificação. O câmbio também entra na conta. O real está muito alto e, à medida que a moeda se desvaloriza, os preços de ativos – tanto em renda variável quanto em renda fixa – precisam se ajustar, com impacto sobre a precificação em reais.
Broadcast: No ano passado, o sr. mencionou que, historicamente, a Bolsa costuma subir cerca de 25% nos primeiros seis meses após o BC iniciar ciclo de corte na Selic. Deve haver um rali dessa magnitude mesmo com a guerra e eleições no radar?
Arruda: O mercado assume que o conflito no Oriente Médio não vai durar, que a tendência é que se resolva relativamente rápido. E não existe dúvida sobre a política monetária. A dúvida é quanto à velocidade e à magnitude das quedas da Selic. Olhando para o juro real, tem um prêmio de risco. Mas devemos ter volatilidade e maior incerteza. O juro ainda precisa cair, temos uma eleição que se avizinha. O mercado depende das propostas dos candidatos, como ficará esse tabuleiro. Deve ser uma eleição apertada. O cenário base – sem um choque geopolítico como o atual – sugeriria espaço para avanço adicional, preservando uma relação que não mudou quando se olha um horizonte de seis a 12 meses. O que mudou, porém, é o curto prazo. O mercado está reagindo a um ambiente de guerra e incerteza. Ainda não há solução clara para o problema em curso, o que dificulta a leitura e eleva a variabilidade dos resultados.
Contato: caroline.aragaki@estadao.com; reginam.silva@estadao.com
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