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23 de fevereiro de 2026
Por Luciana Collet
São Paulo, 23/02/2026 – O grupo italiano Enel pretende sugerir ao governo federal uma solução para minimizar os problemas de apagão em São Paulo que envolve a substituição das árvores de grande porte hoje existentes por outras menores, que não interfiram nos cabos de energia elétrica. Segundo o CEO da companhia, Flavio Cattaneo, a intenção é encaminhar uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com a proposta.
Segundo o executivo, a proposta envolveria retirar árvores atuais e plantar árvores menores para criar “corredores de energia elétrica”. “Assim, se houver vento, as árvores não interferirão nos cabos. E se as árvores forem derrubadas completamente, também não interferirão nos cabos”, disse o executivo, durante coletiva de imprensa realizada em Milão, após evento com analistas e investidores.
Segundo ele, o número de árvores seria mantido, mas elas “um pouco menores”.
“Ou se instalam cabos subterrâneos, o que significa investir nisso, ou se derrubam as árvores, o que, obviamente, tem implicações ambientais. Ou então, esta é a nossa proposta, esta é a nossa sugestão, tem uma carta que queremos enviar ao presidente Lula e ao ministro, em que direi: vejam, podemos cortar as árvores e plantar, em vez disso, árvores menores”, disse.
A jornalistas italianos e de outros países, conectados via internet, Cattaneo explicou que, diferente de outras grandes cidades do mundo, como Roma, Paris ou Madri, onde as redes de energia elétrica são subterrâneas, em São Paulo a rede de distribuição é aérea. “E essa distribuição aérea não fica perto de árvores ou ao lado delas, fica dentro da árvore, na copa, a folhagem das árvores está bem no meio, onde os cabos estão instalados”, acrescentou, lembrando que em caso de eventos climáticos adversos, as árvores são afetadas e podem danificar os cabos. “Nossos engenheiros vão imediatamente ao local e restabelecem a conexão, mas aí o vento rompe os cabos novamente”, disse.
Segundo ele, a companhia está muito insatisfeita com essas interrupções registradas. “É o único país onde sofremos com esse tipo de fenômeno”. Mais cedo, a analistas e investidores, o executivo já tinha dito que apenas “Jesus Cristo” poderia evitar os apagões em São Paulo.
O executivo afirmou que o grupo italiano não quer vender a distribuidora paulista, que atende 24 municípios da região metropolitana de São Paulo. Gostaria, em vez disso, de uma prorrogação da concessão, já que o atual contrato termina em 2028. Segundo o executivo, a empresa cumpriu todos os critérios estabelecidos para a concessão. Isso daria direito à renovação contratual.
No entanto, um revés pode vir de um processo administrativo atualmente em andamento na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a respeito da atuação da empresa durante recentes apagões e que pode culminar na abertura de um procedimento para a caducidade da concessão.
Na visão do CEO da Enel, legalmente, a companhia estaria correta. “Não temos medo algum”, disse. Ele levantou a hipótese de alguma motivação política interferir no desfecho, mas sugeriu que isso depende do governo. “Felizmente, temos normas nacionais no Brasil que nos dão o direito de defender nossas ações. E também existem leis internacionais. E tenho certeza de que o Brasil não vai prosseguir com algo que não tenha racionalidade, lógica ou qualquer outra justificativa. Seria um péssimo exemplo depois de termos assinado o Mercosul”, afirmou, referindo-se ao acordo firmado entre o bloco e a União Europeia.
Contato: Luciana.collet@estadao.com
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