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Empresas brasileiras não enfrentam aperto de crédito, mas há riscos, diz economista da Coface

25 de fevereiro de 2026

Por André Marinho

São Paulo, 25/02/2026 – Com a Selic em 15%, mesmo os setores mais resilientes da economia brasileira podem passar por turbulências pontuais, mas as empresas ainda não enfrentam um cenário de aperto generalizado no crédito (fenômeno conhecido como “credit cruch”), avalia a economista-chefe para América Latina da Coface, Patrícia Krause, em entrevista à Broadcast.

A seguradora de crédito francesa opera com uma carteira de cerca de 725 bilhões de euros globalmente e, entre outros serviços, oferece apólices que protegem clientes contra a inadimplência. Por isso, mantém uma capacidade de observar, com antecedência, eventos de liquidez pelo mundo.

Para este ano, a companhia prevê um crescimento de 2,8% nas insolvências de empresas globalmente, uma desaceleração após o avanço estimado em 4,7% em 2025. A multinacional, porém, descreve a recuperação como “frágil”, diante dos riscos associados ao elevado endividamento corporativo.

No Brasil, os juros restritivos ajudam a amplificar a pressão. No agronegócio, por exemplo, uma onda de recuperações judiciais e inadimplência atingiu produtores rurais e pesou em balanços de bancos, particularmente o Banco do Brasil. “São setores muito grandes, que estão esperando o relaxamento monetário pelo Banco Central, mas os juros continuarão em níveis elevados”, ressalta Krause.

Ganho marginal em escalada tarifária

A economista avalia ainda que o Brasil pode se beneficiar marginalmente da recente escalada das tensões comerciais, embora ainda seja cedo para entender a totalidade dos efeitos. Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas globais de 15%, após a Suprema Corte americana derrubar as sobretaxas anteriores.

A decisão anulou a alíquota de 40% que incidia sobre algumas exportações brasileiras para os EUA, mesmo depois da lista de isenções para vários setores anunciada em novembro do ano. “A tarifa de 15% é relativamente menor que a taxa efetiva que incidia sobre o Brasil, então há um ganho marginal nisso”, argumentou Krause.

A Coface projeta que o Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro crescerá 1,9% este ano, após a expansão estimada em 2,2% em 2025. Segundo a economista, a resiliência da economia do País reflete a contínua força do mercado de trabalho e do consumo privado. “Temos um mercado de trabalho aquecido e, no início do ano, também houve elevação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o que dá algum suporte às nossas previsões”, pontua Krause.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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