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20 de abril de 2026
Por Naomi Matsui
Brasília, 20/04/2026 – O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, comparou, nesta segunda-feira, 20, ações e supostos desvios de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) a casos de pedofilia cometidos por membros da Igreja Católica.
“Estou longe de ter qualquer posicionamento radical ou extremista. Agora, falar que não estou indignado e inconformado com ministros do Supremo que deveriam ser exemplos e, nesse momento, fizeram negócios e encontraram, voaram junto com o maior chefe do crime organizado do Brasil, me parece que é algo semelhante ao Papa e seus assessores estarem fazendo algo referente a abuso infantil. É algo que realmente nos dá nojo”, declarou Zema em entrevista à CNN Brasil.
A declaração ocorre em meio a críticas de vários setores a alguns ministros do STF por ligações com nomes como o do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por acusações de negócios fraudulentos à frente da instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central.
Inquérito das fake news
Na entrevista, Zema criticou o pedido do ministro do STF Gilmar Mendes ao colega Alexandre de Moraes para incluí-lo entre os investigados no inquérito das fake news. A solicitação veio depois de Zema ter divulgado vídeo com críticas à Corte, abrangendo Gilmar e o ministro Dias Toffoli, por causa do caso Master. “Vejo com uma certa surpresa e também decepção, mas confirma essa crença minha de que temos hoje ministros que querem calar qualquer um que discorde dos mesmos”, falou.
O ex-governador afirmou haver uma “farra dos intocáveis” entre as autoridades. “É preocupante o que está acontecendo em Brasília e que está sendo totalmente colocado como sigiloso, criando todas as dificuldades para investigação. Isso não rima com democracia, isso é antidemocrático”, continuou.
Mudanças no Supremo
Em pré-campanha eleitoral, Zema voltou a defender mudanças no Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal, como a fixação de idade mínima de 60 anos para que ministros assumam uma cadeira na Corte, além do fim das decisões monocráticas.
“Se eleito presidente, vou lutar por mudanças profundas no Supremo. Quero ministros com 60 anos ou mais, o que automaticamente vai limitar o tempo deles no tribunal a no máximo 15 anos”, falou. “Quero acabar com as decisões monocráticas, isso hoje é um tapa na cara do Congresso. Senadores, deputados votam, e a canetada de um ministro desmonta aquilo de uma hora para outra no minuto”, disse.
Contato: naomi.matsui@estadao.com
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