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6 de abril de 2026
Por Guilherme Caetano, do Estadão
Brasília, 06/04/2026 – Cresce dentro da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a certeza de que o posto de vice na chapa sairá da disputa entre dois nomes: a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Cada uma das opções tem prós e contras, e Minas Gerais deve ser o fiel da balança nesse cálculo.
Aqueles que defendem Tereza alegam que sua escolha pode ser um aceno importante ao agronegócio depois de o setor ser atingido pelo tarifaço do governo americano defendido pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Eduardo largou seu mandato como deputado federal em março de 2025 para se autoexilar nos Estados Unidos, onde passou a trabalhar por sanções contra o Brasil e o Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente o ministro Alexandre de Moraes. O magistrado é o relator da ação que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Mencionando uma suposta perseguição contra Bolsonaro, o governo de Donald Trump impôs sanções contra ministros do STF e um carga de 50% de tarifas sobre produtos brasileiros. O prejuízo recaiu sobre setores exportadores, em especial da agricultura e da pecuária.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito que torce para que Flávio escolha uma mulher como vice na chapa, de olho em conquistar o eleitorado feminino, em geral refratário à figura de Bolsonaro.
“Nossa senhora, esse assunto não sai da minha frente. Nunca fui convidada. Se eu for, lá na frente nós vamos pensar. Nunca chegou esse convite”, afirmou Tereza Cristina em entrevista ao Estadão.
Já outros avaliam que ter Tereza como vice seria um desperdício, uma vez que os ruralistas votarão em Flávio de qualquer jeito. Também argumentam que a figura do senador é mais palatável às mulheres, diferentemente do pai.
Em relação a Zema, joga a seu favor o peso eleitoral que tem Minas no cenário nacional. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Bolsonaro no Estado por 50,20% contra 49,80% – quase um empate numérico, depois de o então presidente virar o resultado em 66 cidades mineiras entre o primeiro e o segundo turnos -, enquanto Zema foi reeleito naquele pleito com 56,18% dos votos.
Aliados de Flávio dizem acreditar que, se Zema tivesse conseguido transferir para Bolsonaro ao menos um ponto porcentual desses votos, o então presidente teria sido reeleito. Isso porque Lula saiu nacionalmente vitorioso por uma margem estreita, de 50,90% contra 49,10% do oponente.
O lado negativo, no entanto, está na composição nas chapas no Estado. Se o Partido Novo se coligar com o PL, Zema como vice teria dificuldades para apoiar o seu candidato a sucessor, o ex-vice e atual governador Matheus Simões, cujo partido, o PSD, lançou Ronaldo Caiado à Presidência da República.
Para não perder terreno e se manter competitivo no Estado, o PL filiou na semana passada o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, visando a disputa pelo governo mineiro.
Roscoe é cotado tanto para disputar o governo de Minas Gerais quanto para compor como vice na chapa. Os nomes do atual vice-governador, Matheus Simões (PSD), e do senador Cleitinho (Republicanos) são os mais citados para a composição dessa alternativa.
Sendo vice de Simões (aliança PSD-PL), o movimento de Roscoe possibilitaria a Zema também integrar a chapa de Flávio (numa eventual aliança PL-Novo) e manter o apoio ao seu aliado sem enfrentar desgaste. Por isso, a campanha bolsonarista vê Minas como essencial para se fortalecer na corrida ao Palácio do Planalto.
“Vocês viram hoje o movimento, um senador da República (Carlos Viana) vai para o PSD. O governador do Estado (Simões) é do PSD. O PT hoje tem uma dificuldade de montar o seu palanque lá em Minas, que é um Estado-pêndulo, onde há uma necessidade de fazermos uma escolha certa para termos a vitória não só em Minas, mas em nível nacional, porque Minas reflete o Brasil”, afirmou o senador e secretário-geral do PL, Rogério Marinho (RN), durante a filiação de Roscoe.
Na semana passada, a esquerda também moveu suas peças para tentar se posicionar bem na eleição mineira. O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, trocou o PSD pelo PSB do vice-presidente Geraldo Alckmin, de olho em disputar o governo de Minas com apoio do presidente Lula.
Em seu discurso, Pacheco afirmou que o evento se tratava de um ato de filiação, e não de lançamento de pré-candidatura, e que as negociações para a montagem da chapa em Minas Gerais começavam a partir daquele momento.
Pacheco já vem se colocando como um contraponto ao bolsonarismo. Ele afirmou naquela ocasião que, à frente do Senado, enfrentou a pandemia de covid-19 (“em que morreram 700 mil brasileiros diante de uma reticência em relação à vacina”) e uma tentativa de golpe (“quando alguns grupos minoritários pretendiam uma ruptura democrática e institucional”), numa crítica velada a Bolsonaro.
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