Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Eleições 2026: Flávio diz que digital será ‘90% da campanha’ e pede união da direita para vencer

16 de março de 2026

Por Guilherme Caetano, do Estadão

Brasília, 16/03/2026 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ouviu cobranças da militância durante uma reunião virtual neste domingo, 15, e pediu união da direita em torno de sua pré-candidatura à Presidência da República para vencer as eleições de outubro.

Ele afirmou que sua campanha vai se pautar pela disputa na internet e que aumentar as bancadas no Congresso Nacional é mais importante do que eleger governadores nas eleições de outubro.

Chamado pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), Flávio participou de uma sala de conversa em áudio no X (antigo Twitter) com a militância bolsonarista, quando ouviu críticas e conversou com ativistas e perfis anônimos.

Num determinado momento, a conta @Fa1ryNight, que hospedava a sala virtual junto da comunicadora Vanessa Navarro, cobrou o senador por ele, na visão dela, dar trela ou ficar ao lado de pessoas que não seriam plenamente leais ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Isso porque há divergências entre diferentes grupos na direita, um deles mais ligado aos irmãos Bolsonaro, e outro de defensores do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e outras lideranças políticas como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Enquanto um grupo tem críticas pela atuação supostamente centralizadora dos irmãos Bolsonaro, outro avalia que o trio Nikolas, Tarcísio e Michelle não abraçou com a devida ênfase a pré-candidatura de Flávio e cobra deles mais adesão e apoio.

“Quando tiver esse tipo de embate, sabe assim, Flávio, seria legal meio que dar uma equilibrada para os dois lados. Porque quando você só joga ou só pende para um lado, seja de um político, de um jornalista ou de uma galera que não estava 100% com o seu pai, a militância sente. E eu estou aqui te defendendo, velho, dando a cara a tapa por você”, afirmou a conta identificada como Tsuki.

Em seguida ela afirmou que a militância se sente “desprestigiada” quando os irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro “conversam ou dão moral para essas pessoas que não estavam defendendo vocês”. Ela mencionou o apoio a deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) como motivo de insatisfação, uma vez que o parlamentar é próximo de Nikolas e acusado de priorizar sua empreitada ao Senado acima da campanha nacional.

Na sua vez de falar, Flávio pediu que os apoiadores parassem de se atacar nas redes sociais e poupassem os pré-candidatos do PL ao Congresso. Ele defendeu Gayer e afirmou que qualquer “inimigo de seu inimigo é seu amigo” ao pregar união da direita.

“Por mais que dê a vontade às vezes de atacar, provocar, esfregar a verdade na cara, eu penso que (tem que) dar uma esfriada na cabeça antes. Pensa sempre o seguinte: O que a gente vai ganhar com isso? Isso vai mudar a postura da pessoa? Porque isso às vezes é usado até como justificativa para não entrar de cabeça na campanha. É uma luta muito grande aqui. O digital, para mim, vai ser 90% dessa campanha. Então quanto mais fortes a gente estiver, mais a gente se ajudar, melhor”, disse.

Flávio elencou a hierarquia de prioridades para as pré-candidaturas ao PL nas eleições de outubro, relegando as disputas estaduais ao segundo plano, inclusive ao cargo de governador.

“Na ordem de importância é Presidência da República, Senado, deputado federal, depois governador e, por último, deputado estadual. Essa é a prioridade, porque todo mundo aqui já é maduro suficiente para entender que o jogo é pesado no Congresso, e a gente tem que ter uma base forte lá. Não adianta fazer 100% de Senado e Câmara e não ter a Presidência da República”, afirmou.

O bolsonarismo tem apostado nas candidaturas ao Senado visando formar uma superbancada capaz de estabelecer maior contrapeso às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou e condenou Bolsonaro. Uma ala prega que obter maioria na Casa é importante para aprovar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, tido como algoz do ex-presidente.

Veja também