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9 de março de 2026
Por Isadora Duarte
Brasília, 09/03/2026 – O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho, alcançou em fevereiro R$ 226,951 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pelo Broadcast Agro. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central. O montante desembolsado nos primeiros oito meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 56% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir CPRs.
O valor ficou 12,8% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 260,232 bilhões. Até o fim de fevereiro, foram realizados 1,597 milhão de contratos em todas as modalidades, 3,6% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,541 milhão de contratos. Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada. Produtores estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e dos juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.
Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 316,57 bilhões liberados nos primeiros sete meses da safra para agricultura empresarial, até janeiro, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 143,22 bilhões liberados via CPRs de julho a janeiro, há aumento de 6% no desembolso da safra na agricultura empresarial ante o ciclo anterior.
Modalidades e programas
Os financiamentos para custeio somaram R$ 125,756 bilhões em desembolso de julho a fevereiro, 13,8% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 530.811 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 55,997 bilhões no período, 22,3% menos que na temporada passada, em 1,057 milhão de contratos. As operações de comercialização atingiram R$ 21,779 bilhões (queda de 18,59%), em 7.679 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 23,420 bilhões (alta de 50,7%), em 1.385 contratos, em seis meses da safra.
No período, 1,339 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 46,158 bilhões ao fim de fevereiro, recuo de 1,2% ante o ano-safra anterior. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 143.591 operações, totalizando R$ 44,770 bilhões nos oito meses do ano-safra, queda de 2% em um ano. Outros 113.593 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 136,023 bilhões em financiamentos de julho a fevereiro na safra 2025/26, retração de 36,6% em relação a igual período do ano passado.
A região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados nos oito meses da safra, com 818.605 operações, com R$ 22,769 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 368.214 contratos, e maior valor contratado, de R$ 73,605 bilhões. O Sudeste registrou 253.188 operações de crédito rural de julho a fevereiro, somando o total de R$ 62,372 bilhões. No Norte, foram firmados 80.337 contratos, alcançando a liberação de R$ 15,897 bilhões. No Centro-Oeste, foram reportadas 76.200 operações, somando R$ 52,307 bilhões. O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 142,151 mil ao fim dos oito meses do ano-safra atual, queda de 15,8% ante igual período da temporada passada.
Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 75,527 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 52,052 bilhões. Outros R$ 51,379 bilhões de julho a fevereiro deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.
No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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