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Comentário: STF prefere delação de Vorcaro no primeiro semestre para evitar embolar com eleição

25 de março de 2026

Por Carolina Brígido, do Estadão

Brasília, 25/03/2026 – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) preferem que o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro seja selado até junho, para diminuir a chance de interferência no processo eleitoral. Com pré-candidaturas delineadas, as campanhas têm início oficial programado para 16 de agosto.

A expectativa é que os depoimentos e provas apresentadas pelo dono do Banco Master atinjam boa parte da classe política e jurídica.

Embora seja uma preocupação no STF, a prioridade não é fechar a delação rápido e, sim, conduzir o acordo de forma atenta, para não dar margem a um pedido de anulação no futuro por irregularidades. Tanto que entraram em campo para negociar com a defesa de Vorcaro, ao mesmo tempo, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

No gabinete de André Mendonça, o relator das investigações, a ordem é usar o tempo que for preciso para os interrogatórios e a produção de provas – ainda que isso implique avançar no período de campanhas eleitorais. Ou seja: o ideal é selar o acordo ainda no primeiro semestre. Mas somente se for possível. Mendonça tem dado autonomia para a PF e a PGR atuarem de forma técnica.

Integrantes do STF ouvidos pela coluna, no entanto, não têm ideia de quanto tempo levará para a conclusão do acordo de delação, porque ninguém sabe ainda a proporção que ele pode alcançar. A defesa ainda não apontou quantas pessoas serão implicadas em provas e depoimentos do banqueiro. Nas palavras de um ministro, ninguém sabe o que Vorcaro fez no verão passado, mas sabe-se que boa coisa não foi.

Dentro do Supremo, há apreensão sobre se Vorcaro vai apontar a mira para os integrantes do tribunal. Em mensagens vazadas, foi revelada uma conversa do banqueiro com Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado. Também há negociação financeira de fundo ligado ao banqueiro com Dias Toffoli e um contrato milionário do Banco Master com a advogada Viviane Barci, a esposa de Moraes.

Também há ansiedade no Judiciário sobre como a delação pode influenciar na nomeação de Jorge Messias para a vaga aberta no STF. A avaliação é que, a depender de como as informações prestadas pelo banqueiro vão impactar a vida de políticos aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é esperado que a sabatina e a votação do nome do candidato pela Casa sejam ainda mais adiadas.

Um ministro da nata do Judiciário pondera que, seja qual for a delação prestada por Vorcaro, haverá impacto direto na disputa eleitoral deste ano – com o acordo fechado no primeiro, ou no segundo semestre. Segundo ele, não há como evitar isso. O jeito é comprar pipoca para maratonar a delação.

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