Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Datafeed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
7 de abril de 2026
Por Raquel Landim, colunista do Estadão
Brasília, 07/04/2026 – Pela primeira vez em 20 anos, o Brasil caminha para não ter uma candidata à Presidência da República. Nem mesmo por um partido nanico.
Os oito pré-candidatos que se colocaram para a disputa até agora têm o mesmo perfil – homens brancos. São eles: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Aldo Rebelo (Democracia Cristã), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Augusto Cury (Avante).
Em eleições anteriores, o País teve uma mulher eleita duas vezes, a ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, e outras duas não chegaram a pontuar expressivamente, mas colaboraram para o debate de uma possível terceira via: Simone Tebet, em 2022 e Marina Silva, em 2010 e 2014.
No pleito passado, Soraya Tronicke convenceu o União Brasil a apoiar sua candidatura, embora tenha terminado em 5° lugar. Em 2006, o PSOL ainda lançava candidaturas próprias e abriu espaço para Heloísa Helena.
Também já tivemos mulheres pelo menos em partidos nanicos como Livia Maria Pio (PN), em 1989, Ana Maria Rangel (PRP), em 2006, Vera Lúcia (PSTU), em 2018, e Sofia Manzano (PCB), em 2022.
Desde a redemocratização, os únicos pleitos em que as mulheres não haviam conquistado nenhum espaço na urna para o cargo mais alto da República ocorreram em 1994 e em 2002 – sendo que, em 2002, a senadora Roseana Sarney (MDB) cogitou concorrer, mas desistiu.
Com o feminicídio ocupando o topo das manchetes entre as preocupações com segurança pública e com as mulheres representando mais da metade do eleitorado, parece difícil explicar a falta de representatividade feminina duas décadas depois.
Cientistas políticos explicam que a polarização e o acirramento do pleito de 2026 deixaram o cenário ainda mais complicado para as mulheres.
“As lideranças partidárias não consideram mulheres lideranças fortes. Quando a disputa está muito acirrada, essas lideranças, que são majoritariamente homens, simplesmente não querem arriscar”, explica a cientista política Débora Thomé. “E isso não significa que as mulheres não possam vencer se forem escolhidas, elas simplesmente não passam pelo crivo dos homens que dominam os partidos”.
Michelle Bolsonaro é o exemplo perfeito do fenômeno que a cientista política descreve. Mesmo pontuando melhor nas pesquisas de intenção de voto, a ex-primeira-dama foi preterida por Jair Bolsonaro como herdeira política e candidata. Bolsonaro decidiu apostar em Flávio Bolsonaro, filho primogênito de Bolsonaro, privilegiando a dinastia masculina. O PL acompanhou sua decisão, porque o senador tem muito mais relacionamentos no partido que Michelle, o que o faz angariar mais apoio interno.
Vice
E, a depender do andamento das negociações, os principais pré-candidatos não devem entregar às mulheres sequer o papel de vice. Lula nem chegou a considerar a possibilidade e bateu o martelo na chapa com Geraldo Alckmin (PSB).
De olho no voto feminino, alguns caciques do centrão sugeriram a Flávio a senadora Tereza Cristina (PP). Seu nome, no entanto, está sendo torpedeado pelo entorno Bolsonaro, aliás como já ocorreu em 2022, quando Bolsonaro escolheu o general Braga Netto (PL).
A realidade é que os políticos brasileiros fazem discursos sobre a importância da agenda feminina, anunciam medidas e planos de governo, tentam conquistar o voto da eleitora, mas se recusam a dividir poder real com aquelas que ousam subir na tribuna.
Veja também