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Coluna do Estadão: CPMI do INSS deixa integrantes de sobreaviso para trabalhar até sábado

26 de março de 2026

Por Roseann Kennedy, do Estadão

Os integrantes da CPMI do INSS estão em sobreaviso nesta quinta-feira (26). Diante da incerteza sobre a continuidade do colegiado, os senadores e deputados foram orientados a permanecer em Brasília, atentos a uma convocação extraordinária. Em mensagem enviada aos membros, a comissão avisou da possibilidade de realizar reuniões até sábado, 28, data oficial final para ter os trabalhos encerrados.

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia nesta quinta-feira, 26, a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a comissão. Mas há uma tendência de a medida ser derrubada, deixando a continuidade a cargo do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), o que, na prática significará o encerramento da CPMI.

Se o STF derrubar a decisão de Mendonça, a ideia na cúpula do colegiado é já retomar a reunião no início da noite desta quinta-feira para leitura e votação do relatório. A mobilização de última hora é, portanto, uma estratégia para não correr o risco de a CPMI terminar sem sequer ter um parecer votado.

Mendonça determinou prorrogação da CPMI por até 120 dias

Na última segunda-feira, 23, o ministro André Mendonça determinou que o presidente do Congresso oficializasse a prorrogação da CPMI por até 120 dias.

Mendonça atendeu a um mandado de segurança da cúpula do colegiado, que acusou Alcolumbre de omissão. O ministro argumentou que a prorrogação é um “direito da minoria parlamentar” e que, uma vez preenchidos os requisitos, o presidente do Congresso não teria margem política para negar o pedido.

Segundo interlocutores da Corte ouvidos pelo Estadão, a tendência é que o Plenário derrube a liminar de Mendonça por considerar que o Judiciário não deve interferir em questões internas do Legislativo (interna corporis).

O parecer final do relator, Alfredo Gaspar (União-AL), tem mais de 5 mil páginas e cerca de 220 pedidos de indiciamento. O relator disse que ainda analisa a possibilidade de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ser incluído entre as duas centenas de nomes.

O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), porém, trabalha para aprovar um relatório de consenso entre governo e oposição de modo a impedir uma derrota na votação do parecer no sábado, caso a prorrogação não venha.

Independentemente do desfecho do julgamento no STF nesta quinta-feira, o presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), já conseguiu uma vitória política.

Como mostrou a Coluna do Estadão, antes da CPMI, Viana enfrentava um cenário de incerteza para sua candidatura à reeleição em 2026. Agora ele voltou a ter apoio dos Bolsonaros e aparece à frente nas pesquisas de intenção de voto para disputar a reeleição no Senado.

Sem um grupo político sólido e após resultados tímidos nas eleições ao governo de Minas Gerais em 2022, na qual teve apenas 7,23% dos votos, o senador via seu espaço minguar.

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