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20 de abril de 2026
Por Vera Rosa, do Estadão
Brasília, 20/04/2026 – Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem que o governo aponte para o futuro e encontre outra forma de se referir ao projeto de lei que prevê o fim da jornada de seis dias de trabalho com um de descanso. Nos bastidores, o argumento usado é o de que “ninguém entende” o que é fim da escala “6×1”, como a proposta foi batizada.
A pressão para “traduzir” esse mote chegou até o gabinete do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, no Palácio do Planalto.
Um interlocutor do presidente disse recentemente a Sidônio que, em vez de toda hora falar em “6×1”, o governo deveria ser mais direto e “vender” esperança, destacando que o projeto é para permitir aos trabalhadores descansar dois dias por semana.
Uma das mensagens do governo nas redes sociais já traz o seguinte recado: “Repouso semanal. Dois dias livres! O projeto institui 48 horas semanais de descanso, ou seja, no mínimo dois repousos remunerados de 24 horas a cada semana”.
Sidônio avisou que haverá novas peças nas mídias digitais explicando, de maneira mais didática, o que representa acabar com a “6×1”. Lula quer ver o tema aprovado rápido no Congresso para transformá-lo em bandeira de sua campanha à reeleição.
A orientação do titular da Secretaria de Comunicação Social é para que Lula – “motor do conteúdo” dessa proposta -, sempre encaixe o assunto em seus discursos. Além disso, ministros e aliados precisam ressaltar que o governo atua para diminuir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e dobrar o período de descanso remunerado, sem redução de salários.
Nos pronunciamentos e entrevistas, todos devem dar exemplos do que os empregados podem fazer com mais um dia de folga para que eles também pressionem o Congresso a votar o projeto.
Em tom de brincadeira, um aliado do presidente sugeriu que, para atrair católicos e, sobretudo, evangélicos, petistas falem até que os trabalhadores terão mais tempo para assistir à missa ou ao culto.
No Congresso, porém, o nome do projeto é o que menos importa. Neste ano eleitoral, tanto Lula quanto parlamentares reivindicam sua paternidade, enquanto a maioria dos empresários é contra.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou a deputados e senadores, no último dia 14, um documento contrário à redução da jornada. A entidade argumenta que, se a medida for aprovada, terá não apenas impacto inflacionário como também nos empregos formais.
Embora Lula tenha acertado os ponteiros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), horas antes de enviar o projeto em regime de urgência, o deputado já avisou que não abrirá mão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto, em tramitação na Casa.
“É uma prerrogativa do governo encaminhar um projeto de lei com urgência. Nós respeitamos, mas que o governo também entenda e respeite que o presidente da Câmara é quem diz como as matérias tramitarão na Casa”, afirmou Motta.
Para o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), é “evidente” que adversários de Lula querem ganhar tempo para não dar a bandeira de campanha a Lula. “O governo tentou a conciliação, mas deveria ter enviado antes esse projeto em regime de urgência”, disse Uczai.
Agora, o Palácio do Planalto trava uma luta contra o relógio para aprovar a proposta até o fim de junho. Não sem motivo: no segundo semestre, o Congresso entra numa espécie de recesso branco para a campanha e fica às moscas.
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