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Clima/EarthDaily: calor e falta de chuva elevam risco para milho safrinha no Centro-Sul

20 de abril de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 20/04/2026 – A combinação de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal nas últimas semanas tem elevado o risco para o desenvolvimento do milho segunda safra em importantes regiões produtoras do País, como Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul e áreas de Mato Grosso, segundo análise da EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola por satélite.

De acordo com a empresa, os volumes de precipitação registrados nos últimos dez dias nessas regiões variaram entre 0 e 30 milímetros, configurando déficit hídrico entre 20% e mais de 80% em relação à média histórica. O cenário atinge áreas que concentram cerca de 86% da produção nacional de milho safrinha.

Além da escassez de chuvas, o padrão de temperaturas tem ampliado a pressão sobre as lavouras. “Nos últimos 30 dias, foram observadas temperaturas acima da média climatológica em toda a Região Sul e em Mato Grosso do Sul. Mais recentemente, esse padrão se expandiu para outras áreas do País, com previsão de anomalias que podem chegar a até 5°C acima da média”, afirmou o analista de cultura da EarthDaily, Felippe Reis, em comunicado.

Segundo ele, o aumento das temperaturas intensifica a evapotranspiração – processo de perda de água do solo e das plantas – reduzindo a disponibilidade hídrica e elevando o risco de estresse térmico nas lavouras. Esse efeito se soma ao baixo volume de chuvas, agravando as condições para o desenvolvimento das culturas.

A redução da umidade do solo já é observada em regiões relevantes para a produção, como Mato Grosso, maior produtor de milho safrinha do País, além de áreas de Goiás e do Paraná.

Em Goiás, o índice de vegetação (NDVI), indicador que mede o vigor das plantas, inspira cautela. Segundo a EarthDaily, o comportamento do índice se aproxima do observado em 2021, safra marcada por perdas de produtividade. A previsão de chuvas mais de 50% abaixo da média reforça o risco de impacto sobre o potencial produtivo, especialmente em áreas mais sensíveis à falta de água.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário é mais favorável no momento. O NDVI indica bom desenvolvimento vegetativo, semelhante ao observado em safras de maior produtividade, e a previsão aponta manutenção de níveis de umidade próximos da normalidade no curto prazo.

Já em Mato Grosso, a dinâmica do NDVI é menos favorável em comparação ao ciclo anterior, refletindo a menor disponibilidade hídrica. Embora haja expectativa de recuperação parcial da umidade do solo nas próximas semanas, a evolução desse quadro dependerá da regularidade das chuvas.

No Paraná, as lavouras ainda apresentam desenvolvimento considerado satisfatório, mas o cenário é de atenção. A previsão indica continuidade da redução da umidade do solo no curto prazo, com possibilidade de recuperação posterior. Caso essa recomposição não ocorra de forma consistente, o risco de impacto sobre o enchimento de grãos e o rendimento final tende a aumentar.

Segundo a EarthDaily, a combinação entre calor e restrição hídrica torna essencial o monitoramento das lavouras nas próximas semanas, período considerado decisivo para a consolidação do potencial produtivo do milho safrinha no Brasil.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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