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Cepea: exportação do agronegócio em 2025 bate recorde; 2026 começa com muita incerteza

11 de março de 2026

São Paulo, 11/03/2026 – O agronegócio nacional atingiu recorde no faturamento com as exportações de seus produtos em 2025. Esse desempenho foi verificado mesmo diante das tarifações impostas pelos Estados Unidos, que são o terceiro maior destino do setor brasileiro, mostram pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex). O Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior. O resultado se deve ao crescimento de 3,4% no volume embarcado, tendo em vista que o preço médio anual caiu ligeiro 0,4%.

Segundo pesquisadores do Cepea, os volumes exportados das carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho cresceram em 2025 em relação ao ano anterior. Quanto ao preço, aumentos foram verificados para as carnes bovinas e suína, o etanol, o café e o óleo de soja. Os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro continuam sendo China (sobretudo complexo soja), União Europeia (especialmente florestais, café, frutas e suco de laranja) e Estados Unidos (principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina).

Incertezas em 2026

Segundo boletim do Cepea, o ano de 2026 se inicia em meio a fortes incertezas. Atualmente, os produtores do Hemisfério Sul finalizam a colheita da safra de verão e intensificam a semeadura da nova safra. No Hemisfério Norte, os agricultores estão fazendo o planejamento para o próximo ciclo produtivo e se mantêm atentos ao clima (o frio está bastante intenso em algumas importantes regiões produtoras de grãos) e, sobretudo, aos desdobramentos do atual conflito no Oriente Médio.

“Por ora, o conflito já tem resultado em fortes altas nos preços do petróleo e em dificuldades logísticas”, observaram os pesquisadores. O fechamento do Estreito de Ormuz preocupa, uma vez que a região é estratégica para o comércio global de energia e insumos agrícolas, já que por ali circulam 30% dos fertilizantes (principalmente de base nitrogenada) comercializados no mundo. O Cepea observa que muitas empresas brasileiras de fertilizantes estão atualmente afastadas do mercado, sem divulgar preços, aguardando os desdobramentos do conflito.

O Irã, especificamente, se tornou em 2025 um grande demandante do milho do Brasil. Em 2025, o país foi o maior destino do milho nacional, recebendo 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do que no ano anterior (4,33 milhões de toneladas), segundo apontam dados da Secex. No entanto, como as exportações brasileiras de milho tendem a ser intensificadas apenas no segundo semestre, agentes, por ora, apenas acompanham os possíveis impactos para os próximos meses.

Quanto ao frango, a região do Oriente Médio é um dos principais parceiros do setor avícola nacional na atualidade – em 2025, foi destino de quase 25% dos embarques brasileiros de carne de frango. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Em 2025, foram exportadas cerca de 877 mil toneladas da proteína para esses países que, juntos, recebem perto de 12,6% de todo o volume de frango embarcado pelo Brasil.

(Equipe AE)

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