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CBOT: mercado deve abrir em alta com petróleo, embarques e clima no radar

3 de março de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 03/03/2026 – O mercado de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) deve iniciar a sessão desta terça-feira em alta, sustentado pela valorização do petróleo e por dados consistentes de embarques nos Estados Unidos. O cenário geopolítico no Oriente Médio mantém os investidores cautelosos, enquanto números de exportação e revisões de safra na América do Sul ajudam a definir o viés dos negócios.

Na soja, a abertura deve ser positiva. A Barchart indica ganhos entre 9 e 14 cents nesta manhã, após recuo de 5 a 8 cents nos contratos mais próximos na segunda-feira. O principal suporte vem do óleo de soja, que acompanha a forte alta do petróleo, reforçando a demanda por biocombustíveis. Além disso, o relatório mensal de esmagamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostrou processamento de 227,8 milhões de bushels em janeiro, acima das estimativas do mercado. Os estoques de óleo subiram 11,7% ante dezembro, para 2,43 bilhões de libras.

No comércio exterior, o USDA informou que os embarques semanais de soja somaram 1,138 milhão de toneladas na semana encerrada em 26 de fevereiro, alta de 66,9% ante a semana anterior e de 62% em relação ao mesmo período do ano passado. A China foi o principal destino, com 734,7 mil toneladas. No acumulado do ano comercial, iniciado em 1º de setembro, os embarques totalizam 26,18 milhões de toneladas, volume 30,4% inferior ao registrado um ano antes.

Do lado da oferta, a StoneX reduziu sua estimativa para a safra brasileira de soja para 177,8 milhões de toneladas, corte de 3,8 milhões de toneladas em relação ao número anterior.

O milho também deve abrir em alta, com ganhos de 3 a 5 cents no pré-mercado, após queda de até 5 ½ cents nos contratos mais próximos na sessão anterior. A valorização do petróleo favorece o setor de etanol e contribui para a recuperação das cotações. As inspeções semanais de exportação indicaram embarques de 1,858 milhão de toneladas na semana encerrada em 26 de fevereiro, recuo de 8% ante a semana anterior, mas ainda o terceiro maior volume do ano comercial e 37,4% acima do registrado no mesmo intervalo de 2025. No acumulado da temporada, os embarques somam 39,619 milhões de toneladas, alta de 42,3% na comparação anual.

O relatório de moagem apontou uso de 460,95 milhões de bushels de milho para produção de etanol em janeiro, abaixo das estimativas do mercado, queda de 1,49% ante igual mês do ano passado e de 4,5% frente a dezembro. No cenário internacional, importadores da Coreia do Sul adquiriram 133 mil toneladas em licitações.

Para o Brasil, a Safras & Mercado estimou a produção total de milho em 141,71 milhões de toneladas, redução de 1,17 milhão de toneladas ante a projeção anterior, enquanto a StoneX elevou sua estimativa para 136 milhões de toneladas.

O trigo deve iniciar o pregão com ganhos entre 1 e 7 cents, após perdas expressivas na segunda-feira. O mercado acompanha a previsão de precipitações limitadas em áreas do Kansas, Oklahoma e Texas nos próximos sete dias, enquanto regiões mais ao leste das Grandes Planícies devem receber volumes mais consistentes.

As inspeções semanais de exportação de trigo somaram 344,3 mil toneladas, queda de 38,9% ante a semana anterior e de 12% na comparação anual. No acumulado do ano comercial 2025/26, iniciado em 1º de junho, os embarques atingem 18,62 milhões de toneladas, alta de 18,8% ante igual período da temporada passada. No fim de semana, a Arábia Saudita adquiriu 794 mil toneladas em licitação.

No overnight, o contrato maio da soja subia cerca de 12 centavos, para a faixa de US$ 11,70 por bushel. O milho maio avançava próximo de 5 centavos, ao redor de US$ 4,50 por bushel, enquanto o trigo maio em Chicago operava perto de US$ 5,80 por bushel.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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