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10 de abril de 2026
Por Alvaro Gribel, do Estadão
Brasília, 10/04/2026 – O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza recebeu cerca de R$ 8 milhões em propina do Banco Master, segundo investigações da própria autoridade monetária, apurou o Estadão com pessoas que acompanham o caso. Já o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Belline Santana recebeu pelo menos R$ 4 milhões.
Os dois são investigados por atuarem em prol do Banco Master no Banco Central. Segundo a PF, os dois foram cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e receberam “mesada” para trabalhar como consultores informais do Master. O Estadão tenta contato com a defesa dos servidores. O espaço está aberto.
O valor recebido por Paulo Sérgio seria o dobro de Belline por ele ter sido diretor de Fiscalização do BC e também por ter entrado no esquema comandado por Vorcaro antes de Belline. O BC começou a apurar o vínculo entre os servidores e o Banco Master no ano passado.
Segundo as investigações do Banco Central, Souza simulou a venda de uma fazenda para um fundo ligado a Vorcaro. Conforme revelou o Estadão, Belline, classificado pelas investigações como uma espécie de “empregado” e “consultor” de Vorcaro no BC, criou uma empresa para oferecer serviço de capacitação de crianças e jovens carentes. A firma foi oficialmente aberta em julho de 2025, meses antes de o BC decretar a liquidação do Master, em novembro.
A empresa foi registrada no mesmo endereço residencial em que Belline declarou ser sua residência, em São Paulo. O telefone informado à Receita Federal é genérico, com uma sequência de noves, e não existe: “(11) 9999-9999”.
Em depoimento à sindicância do BC, Bellini relatou que inicialmente Leonardo Palhares, apontado pela Polícia Federal como operador de Vorcaro, ofereceu a ele R$ 2 milhões para prestar os serviços. O empresário chegou a fazer dois pagamentos de R$ 500 mil em 2023.
O total recebido por Belline foi de R$ 4 milhões, conforme foi revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Estadão.
Os dois servidores, segundo relatório do Polícia Federal, teriam atuado como uma espécie de consultores informais do Master dentro do BC, repassando informações ao banqueiro e ajudando na elaboração de pareceres que seriam analisados por eles próprios.
Em meados de março, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu processos administrativos contra ambos para avaliar se eles serão expulsos do serviço público.
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