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Carne de frango: volatilidade foi marca de 2025; 2026 deve ser de recorde de produção, diz consultoria

5 de janeiro de 2026

Por Tânia Rabello

São Paulo, 05/01/2026 – A avicultura brasileira atravessou 2025 sob forte volatilidade, marcada por custos de produção ainda elevados e pelos impactos da gripe aviária, que trouxeram momentos de incerteza e desequilíbrios pontuais entre oferta e demanda. Apesar dos desafios, o setor encerrou 2025 com resultados históricos em volume produzido e abate, segundo análise da consultoria Agrifatto.

De acordo com as estimativas da consultoria, o Brasil deve fechar 2025 com o abate de 6,94 bilhões de aves, alta de 7% em relação a 2024 e o maior volume já registrado. A produção de carne de frango também alcança um recorde, estimada em 14,26 milhões de toneladas, crescimento anual de 4%.

No comércio exterior, contudo, o desempenho foi prejudicado pelos episódios de gripe aviária. As exportações brasileiras de carne de aves devem somar 4,97 milhões de toneladas em 2025, queda de 0,7% na comparação anual. Os Emirados Árabes Unidos lideraram as compras, com participação de 9,3%, seguidos por Japão (7,9%) e Arábia Saudita (7,8%). A China, que historicamente figurava como principal destino, reduziu as importações em 59,45% frente a 2024 após o bloqueio sanitário imposto em maio, embora ainda tenha mantido a sétima posição no ranking, com 4,9% do total exportado. Com a retração chinesa, outros mercados ampliaram sua participação ao longo do ano.

No mercado interno, os preços refletiram o movimento de oferta e demanda. O frango vivo registrou forte valorização no primeiro semestre, sustentado por oferta mais restrita e demanda externa aquecida, mas perdeu fôlego na segunda metade do ano com os efeitos da gripe aviária. Na média anual, o preço do frango vivo deve encerrar 2025 em R$ 4,97 por quilo, alta de 3,11% em relação a 2024. Já o frango resfriado no atacado paulista apresentou recuo a partir de junho e deve fechar dezembro próximo de R$ 7,81 por quilo, acima de 2023, porém abaixo do patamar do ano anterior. A média parcial de 2025 está estimada em R$ 8,10 por quilo, avanço de 11,53% na comparação anual, influenciado principalmente pelos preços elevados do primeiro semestre.

O mercado de ovos também passou por ajustes ao longo do ano. No primeiro semestre, os preços ficaram pressionados pelos altos custos de produção. No segundo semestre, a maior oferta, combinada com um consumo mais sensível às variações de preços, limitou as cotações.

Para a Agrifatto, apesar de 2025 ter sido um ano desafiador, a avicultura brasileira reforçou sua posição no mercado global e encerra o período com marcos históricos relevantes em produção e abate.

As perspectivas para 2026 indicam continuidade do crescimento. A consultoria projeta aumento de 4,2% no abate, que deve atingir 6,96 bilhões de aves, impulsionado pela ampliação da capacidade produtiva, ganhos de eficiência e pela expansão gradual da demanda interna e externa. A produção de carne de frango é estimada em 14,76 milhões de toneladas, alta de 4% e novo recorde.

No mercado internacional, a expectativa é de recuperação gradual da liderança brasileira nas exportações após os efeitos da gripe aviária, com consolidação de novos e antigos mercados. Os embarques podem alcançar 5,39 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 8,4% frente a 2025 e potencial novo recorde.

Com a oferta elevada, os preços do frango vivo devem oscilar entre R$ 4,65 e R$ 4,77 por quilo no primeiro semestre de 2026, superando os R$ 5,00 por quilo no segundo semestre. Na média anual, a alta pode chegar a até 0,84% em relação a 2025. A Agrifatto ressalta que a valorização pode ser mais intensa caso as carnes bovina e suína também sigam em alta, cenário que historicamente desloca o consumo doméstico para a carne de frango.

Contato: tania.rabello@estadao.com

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