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BTG/Mansueto: BC poderia ter cortado juros já nesta semana

30 de janeiro de 2026

Por Eduardo Laguna, Gabriela Jucá e Caroline Aragaki

São Paulo, 30/01/2026 – O economista-chefe do BTG e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse hoje que o Banco Central (BC) poderia ter cortado a taxa de juros na última quarta-feira. Porém, observou, a autoridade monetária vinha adotando uma comunicação muito dura, e, assim, preferiu sinalizar o início do ciclo de cortes, ao invés de reduzir a Selic sem avisar.

“Vamos lembrar que o ponto de partida é uma taxa de juros de 15%, para uma expectativa de inflação neste ano em torno de 4%. Então, estamos falando de um juro real muito, muito alto”, comentou Mansueto durante o evento Plano de Voo, promovido pela Amcham para discutir perspectivas para o ano.

“Mesmo que o Banco Central tivesse começado o corte esta semana, nós temos oito reuniões ao longo do ano. Ele poderia calibrar, ao longo dessas reuniões, se aumentaria a velocidade de corte ou não”, acrescentou.

O ex-secretário do Tesouro lembrou que as previsões do BC para a inflação no horizonte relevante da política monetária, o terceiro trimestre de 2027, seguem em 3,2%, acima da meta central de 3%. Ele comentou, porém que esta previsão levou em conta um dólar a R$ 5,35, quando o câmbio atual está girando ao redor de R$ 5,20.

“Possivelmente, quando o Banco Central rodar esse modelo novamente, ele vai estar com a inflação na meta no terceiro trimestre de 2027”, declarou. Apesar da sinalização de início dos cortes em março, Mansueto frisou que os juros vão terminar 2026 muito elevados, em torno de 12%. Se não vier um plano fiscal crível, emendou, o País seguirá com juros muito altos. Por outro lado, uma indicação de contenção de gastos abrirá espaço para cortes da Selic mais agressivos.

Contatos: eduardo.laguna@estadao.com; gabriela.silva@estadao.com

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