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Boulos: Nosso debate sobre escala 6×1 tem responsabilidade e pé no chão com economia

10 de dezembro de 2025

Por Pepita Ortega

Brasília, 10/12/2025 – O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, destacou na manhã desta quarta, 10, que o fim da escala 6×1 é uma prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva e que o debate do Executivo sobre o tema é realizado com “responsabilidade e pé no chão com a economia”. Ao lado de representantes do empresariado, Boulos afirmou que há números que sustentam o fim da escala 6×1 “sem prejuízo significativo para a economia e a produtividade” e ressaltou que o debate sobre o tema “não pode ser feito com terrorismo econômico”.

Boulos participa de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara nesta manhã para debater o fim da escala 6×1. Também participam do evento Pablo Rolim Carneiro, Especialista em Políticas e Indústria da Confederação Nacional da Indústria, e o presidente da Fecomercio, Ivo Dall’Acqua Júnior.

Antes da manifestação de Boulos, o presidente da Fecomércio argumentou que a redução da jornada de trabalho, de 44 para 36 horas, implicaria em um aumento da folha salarial em 18%, no mínimo. Ele destacou que o fim da escala 6×1 “não é tão simples”, afirmou que haveria um “efeito bumerangue” e defendeu a negociação coletiva como o “instrumento legítimo” para a discussão. Citou a possibilidade de demissões e risco de informalidade que, em sua visão, inviabilizariam a proposta.

Na mesma linha, Carneiro sustentou que o custo da redução da jornada, para a indústria, com uma jornada de 32 horas – reajustes de contratos – seria de R$ 178,8 bilhões, um aumento de 25%. Ainda de acordo com o especialista, no setor público o custo aumentaria R$ 150,4 bilhões, um aumento de 23,7% .

Boulos rebateu as declarações dos outros expositores, rechaçando o que chamou de “terrorismo econômico” sob o argumento de que os estudos das partes interessadas no tema vão “apresentar sua percepção”. O ministro citou a tendência internacional de redução de jornadas, elencou “empresas brasileiras pioneiras” no tema e ainda destacou um estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre o tema. Segundo Boulos, o estudo foi realizado com 19 empresas que fizeram o teste de redução de reduzida e em 72% delas teve aumento de receitas.

O ministro argumentou ainda que o mercado vai se adaptar a eventual mudança, “como se adaptou à redução da jornada em 1988, e à CLT”. Citou ainda as “adaptações no mundo inteiro” em outros países que aderiram à “tendência” da redução da jornada de trabalho. “Esse discurso de que o mundo vai acabar se acabar com a escala 6×1 não cola”, frisou.

Boulos afirmou que o fim da escala 6×1 “passa por avaliação e impacto econômico, mas também por humanidade”. O ministro ressaltou que a proposta foi uma iniciativa do parlamento que foi recebida com entusiasmo pelo governo. Complementou que o tema é um “compromisso do governo” e que “se espera” que seja o compromisso da maioria dos parlamentares.

O deputado licenciado pregou uma discussão sobre o dados relacionados ao tema, assim como sobre uma “transição com seriedade”, especialmente para pequenos e médios negócios, entre as eventuais jornadas de trabalho – um debate “em bom termo, com matemática, coração e humanidade”.

Câmara

No início de sua fala, o ministro ainda fez um comentário sobre os eventos na Câmara nesta terça, 10. Segundo Boulos, tratou-se de uma “noite da vergonha no parlamento”, com a evacuação da imprensa do plenário da Casa enquanto a polícia legislativa retirava, à força, o deputado Glauber Braga da cadeira do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). “É algo próprio de posturas e de regimes ditatoriais. Não é algo que se deve conviver e se naturalizar dentro da democracia. E acho que há tempo de se corrigir caminhos errados”, afirmou.

Contato: pepita.ortega@estadao.com

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