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Bonds da Venezuela disparam mais de 40% sem Maduro e perspectiva de melhora na economia

5 de janeiro de 2026

Por Altamiro Silva Junior

São Paulo, 05/01/2026 – Os títulos de dívida (bonds) da Venezuela, país que deu default no mercado internacional em 2017, estão disparando nesta segunda-feira no mercado secundário, após os Estados Unidos retirarem à força o ditador Nicolás Maduro de Caracas.

O papel que vence em 2031 avança 41%, negociado a 42,50 centavos de dólar, ante 30,22 no pregão do dia 2 de janeiro. O bond com vencimento em 2027 tem comportamento similar, com salto de 30%, e o que vence em janeiro de 2024 subia 38%.

Os títulos de dívida do país começaram a subir em 2025, quando começou a ficar claro, pelas declarações e ações, que Donald Trump faria algum movimento no país. Mas, como observa um operador de renda fixa em Nova York, a ação em Caracas no último sábado pegou todo mundo de surpresa e contribuiu com o otimismo para a economia do país, mesmo com uma série de incertezas no radar. Antes da recuperação dos últimos meses, os papéis operavam na casa dos 12 a 20 centavos de dólar, considerando as cotações da Bolsa de Frankfurt.

Assim como os títulos soberanos, os bonds da PdvSA, a petroleira estatal venezuelana, subiam com força nesta segunda-feira. O papel que vence em 2027 avançava 35%, a 30,73 centavos de dólar.

“Continuamos otimistas em relação ao crédito venezuelano”, afirmam os estrategistas do Citi em relatório nesta segunda-feira. “Os títulos já refletem o otimismo, mas ainda têm espaço para subir, pois a rápida remoção de Maduro e o apoio dos EUA surpreenderam positivamente, em nossa opinião.”

Para o Citi, o impacto político na América Latina da ação de Trump “parece relativamente discreto, dadas as visões amplamente negativas sobre o regime venezuelano”, enquanto os resultados positivos podem surgir de uma futura recuperação econômica da Venezuela.

A economista para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, Kimberley Sperrfechter, observa que o Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela encolheu 70% desde 2013, a mais severa contração de um país em tempos de paz. Além disso, 8 milhões de pessoas deixaram o país e os investimentos em petróleo despencaram.

A dúvida agora, ressalta a economista em relatório, é se esse quadro econômico muito ruim, mas que começou a melhorar mais recentemente, será de fato revertido. Esse movimento vai depender de como ficará o governo do país sem Maduro, destaca Sperrfechter. No cenário mais otimista, o país teria novas eleições democráticas e o futuro presidente começaria a colocar a economia de volta ao eixo.

Sem pagar credores, o Credit Default Swap (CDS), um derivativo que protege contra calotes, da Venezuela não é negociado desde 2017, quando estava em 72.150 pontos, o mais alto entre as economias do mundo, considerando os contratos de 5 anos.

Contato: altamiro.junior@estadao.com

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