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3 de dezembro de 2025
Por Bruna Camargo
São Paulo, 03/12/2025 – O estrategista-chefe de investimentos da BlackRock para a América Latina, Axel Christensen, avalia que em 2026 os investidores precisarão ser forçados para além de suas zonas de conforto. A ideia remete ao tema do “Global Outlook”, divulgado hoje pelo BlackRock Investment Institute, e se refere especialmente às mudanças trazidas pela inteligência artificial (IA).
“Acreditamos que, entrando em 2026, teremos que realmente ultrapassar os limites como investidores, indo além de nossas zonas de conforto”, afirmou Christensen, em coletiva de imprensa nesta tarde. “Acreditamos que a IA, dentre as diversas transformações estruturais em curso no mundo, como a transição energética, as mudanças demográficas e, claro, toda a fragmentação geopolítica e as transformações no mundo financeiro, provavelmente representa a maior e mais poderosa transformação estrutural, ou megaforça, como gostamos de chamar na BlackRock. Portanto, a IA definitivamente nos desafia.”
Na temática de ultrapassar limites, o estrategista destaca que, para 2026, existem três temas principais nos quais os investidores e aqueles que acompanham os mercados devem concentrar sua atenção. O primeiro é o chamado “micro é macro”, relacionado ao quanto as decisões de empresas (micro) estão se tornando tão importantes que trazem implicações para a economia como um todo (macro). Novamente, a IA é citada.
“As decisões que as empresas estão tomando, como contratar uma plataforma para integrar ferramentas de IA à empresa, comprar chips e outros microprocessadores do setor de semicondutores, firmar parcerias com empresas de energia ou refrigeração para construir seus data centers, hoje, se considerarmos todas essas iniciativas em conjunto, elas contribuíram mais para o crescimento econômico dos Estados Unidos este ano do que o próprio consumo. E sabemos que o consumo é a espinha dorsal da economia dos Estados Unidos”, observa Christensen, mencionando ainda o impacto que o aumento de produtividade com IA deve causar.
Alavancagem
O segundo tema principal, relacionado ao primeiro, gira em torno do aumento da alavancagem das empresas. “Vemos que, daqui para frente, o montante de investimento necessário para viabilizar essa transformação na inteligência artificial e em outras transformações que estão ocorrendo no mundo, como a transição energética, e a quantia de dinheiro que terá que ser reservada para financiar pensões devido às mudanças demográficas, exigirá investimentos significativos”, avalia Christensen.
Ele estima que a demanda se trata de investimentos na faixa de US$ 5 trilhões a US$ 7 trilhões para os próximos quatro a cinco anos. “Isso é dinheiro demais para as empresas desembolsarem com recursos próprios. Elas terão que recorrer ao mercado e emitir, acreditamos, mais ações, mas principalmente mais dívida. Cada vez que obtemos mais financiamento para investimentos, seja por meio de crescimento, alavancagem ou dívida, o nível de risco aumenta consideravelmente”, diz.
E o terceiro tema principal para o próximo ano é repensar as fontes de diversificação dos portfólios. “Talvez a coisa mais próxima de um ‘almoço grátis’ no mundo financeiro seja a diversificação. Se você tiver um portfólio bem diversificado, poderá obter um retorno maior com menor risco devido às correlações. Mas, considerando a situação atual dos mercados financeiros, como o aumento dos gastos fiscais nas economias desenvolvidas e a menor previsibilidade da inflação, acreditamos que as fontes tradicionais de diversificação, como títulos de longo prazo e títulos do governo de economias desenvolvidas, já não são tão eficazes na redução do risco das carteiras como eram no passado”, afirma Christensen.
Segundo o estrategista, o mercado está muito interessado em encontrar novas fontes de diversificação para os portfólios. Ele conta que a fraqueza do dólar ante pares fortes neste ano, por exemplo, lembrou as pessoas da necessidade de diversificar em outras categorias de ativos – e o ouro foi visto como uma alternativa. Christensen também destaca a “demanda muito significativa por ativos digitais”, incluindo criptomoedas, o “interesse bastante expressivo” nos mercados privados, especialmente no crédito privado e no segmento de infraestrutura. “Além de proporcionarem diversificação, também estão alinhados com as megaforças que mencionei”, reforça.
Contato: bruna.camargo@estadao.com
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