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BIS: Brasil e pares latinos devem manter BCs vigilantes e fiscal robusto frente a choques

21 de janeiro de 2026

Por Aline Bronzati, correspondente

Nova York, 21/01/2026 – Os países da América Latina devem manter bancos centrais vigilantes e arcabouços fiscais robustos para lidar com eventuais choques dentro e fora de casa, alerta o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), em relatório publicado nesta quarta-feira. O estudo do organismo, considerado o ‘banco central dos bancos centrais’, analisou dados de Brasil, Chile, Colômbia e México entre 2005 e o início de 2025, com foco nos impactos da incerteza da política econômica adotada na região.

“Choques de política econômica doméstica levam a perturbações macroeconômicas significativas e que desafiam uma gestão econômica eficaz”, afirmam Ana Aguilar, Rafael Guerra, Carola Müller e o brasileiro Alexandre Tombini, autores do estudo. Dentre os impactos, eles citam queda do Produto Interno Bruto (PIB), aumento da inflação e piora das condições financeiras.

Segundo eles, os países da América Latina devem manter bancos centrais vigilantes diante de choques de incerteza e seus efeitos na inflação. “Choques de política econômica doméstica podem empurrar as expectativas de inflação e os preços para um patamar ainda mais alto quando a inflação já está acima da meta”, avaliam os autores.

Eles alertam ainda para a importância de as autoridades latinas priorizarem uma comunicação “clara e consistente” das intenções de política monetária com o objetivo de ajudar a ancorar as expectativas de inflação e mitigar os efeitos adversos de choques de incerteza.

No campo fiscal, os autores do estudo do BIS destacam a importância de os países latinos manterem arcabouços fiscais “robustos” para mitigar os efeitos adversos de turbulências causadas por políticas econômicas domésticas. E recomendam a adoção de reformas institucionais para aumentar a credibilidade fiscal, reduzir a imprevisibilidade política e fortalecer a confiança dos investidores.

“É crítico que os formuladores de políticas na América Latina precisam levar em conta as fontes domésticas de incerteza em seus arcabouços de política”, afirmam Aguilar, Guerra, Müller e Tombini. “Ao abordar tanto as vulnerabilidades domésticas quanto as dependências externas, os formuladores de políticas podem melhor salvaguardar a estabilidade macroeconômica e promover o crescimento sustentável na região”, concluem.

Contato: aline.bronzati@estadao.com

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