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Argus: abertura de Ormuz pode elevar pedágio com recomposição de estoques

17 de abril de 2026

Por Denise Luna

Rio, 17/04/2026 – O cessar-fogo anunciado pelo Irã trouxe alívio para parte dos mercados, mas ainda deixa incertezas relevantes sobre a travessia pelo Estreito de Ormuz, especialmente em relação a eventuais pedágios, alertou o especialista por precificação de fretes na Europa da Argus, John Ollett.

A indicação de que a passagem ocorreria por uma “rota coordenada já anunciada” é vista como sinal de que os iranianos podem manter cobranças pela travessia, o que preserva um risco adicional de custo para o transporte marítimo, observou.

As tarifas de frete fora do Golfo do Oriente Médio recuaram nas últimas semanas, mas a tendência pode se inverter com a corrida da Ásia para recompor estoques.

Dados da Argus mostram que o frete de navios do tipo VLCC do Golfo do Oriente Médio para o leste asiático chegou a US$ 15,71 por barril, ante US$ 6,14 por barril antes do início da guerra, e pode subir ainda mais, caso a passagem livre seja efetivamente implementada.

Mesmo com um eventual aumento da movimentação, a normalização não seria imediata. O seguro marítimo costuma levar alguns dias para voltar a patamares mais próximos do normal, e embora seguradoras tenham oferecido cobertura adicional de risco de guerra, a resistência dos armadores em navegar por uma área considerada perigosa segue como um dos principais gargalos.

Se a passagem se consolidar, a expectativa é de aumento das viagens a partir da próxima semana, ainda que muitos armadores evitem a rota nos primeiros dias do cessar-fogo.

No mercado de derivados, a oferta existe, mas há entraves logísticos, segundo o responsável pela precificação de diesel na Europa da Argus,
Josh Michalowski.

De acordo com ele, 3,2 milhões de barris de querosene de aviação (QAV) estão flutuando no Golfo do Oriente Médio, porém as cargas não estão necessariamente prontas para sair. Os navios ainda precisam entrar no Estreito, carregar e então seguir viagem rumo à Europa, num processo sujeito às mesmas preocupações com seguro e segurança.

Além disso, o impacto sobre a Europa tende a ser lento. Qualquer carga de derivados que deixe o Golfo ainda levará de cinco a seis semanas para chegar ao continente, em linha com alertas recentes da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a retomada plena dos fluxos após a reabertura do Estreito de Ormuz pode levar vários meses.

Já no gás, a reação foi imediata, informou a especialista em precificação de gás e Gás Natural Liquefeito (GNL) da Argus, Natasha Fielding.

Os preços na Europa despencaram após o anúncio iraniano de que o estreito está “completamente aberto” para navios comerciais durante o restante do cessar-fogo, levando o TTF (Title Transfer Facility) ao menor nível desde o início da guerra no Oriente Médio.

O movimento reflete a expectativa de que parte do GNL retido volte a circular e de que as exportações possam ser retomadas a partir da unidade de liquefação de Ras Laffan, em Doha, no Qatar, após a crise retirar aproximadamente um quinto da oferta mundial de GNL de forma abrupta.

Apesar do otimismo, o mercado ainda opera com cautela. Traders seguem monitorando a aproximação de navios de GNL do Estreito de Ormuz, enquanto permanece indefinido como funcionará o seguro e quais etapas serão necessárias para que a travessia ocorra com regularidade.

Contato: denise.luna@estadao.com

*Conteúdo elaborado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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