Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Broadcast OTC
Plataforma para negociação de ativos
Broadcast Data Feed
APIs para integração de conteúdos e dados
Broadcast Ticker
Cotações e headlines de notícias
Broadcast Widgets
Componentes para conteúdos e funcionalidades
Broadcast Wallboard
Conteúdos e dados para displays e telas
Broadcast Curadoria
Curadoria de conteúdos noticiosos
Broadcast Quant
Plataformas Broadcast
Soluções de Dados e Conteúdos
Soluções de Tecnologia
5 de janeiro de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 05/01/2026 – A Argentina pode colher 154,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, volume recorde e 12% superior ao da temporada anterior, segundo relatório divulgado pela Bolsa de Comércio de Rosário (BCR). A projeção reflete o inverno mais chuvoso em décadas e a recuperação das condições climáticas após anos marcados por secas, geadas fora de época e ondas de calor.
De acordo com o documento, assinado pelos analistas Tomás Rodriguez Zurro e Emilce Terré, a produção de trigo é estimada em 27,7 milhões de toneladas, recorde para o país, enquanto a cevada deve atingir 5,6 milhões de toneladas, também no maior nível da série histórica. “Depois de uma sucessão de secas, geadas tardias e intensas ondas de calor, o inverno mais chuvoso em décadas apresenta um cenário confortável”, afirma o relatório.
No caso da safra de verão, a BCR destaca a continuidade das chuvas ao longo da primavera e no início do verão, o que permitiu bom nível de umidade no solo e sustenta expectativas positivas. O estudo ressalta, porém, que os rendimentos ainda dependem do comportamento do clima nas próximas semanas.
A produção de milho é projetada em 61 milhões de toneladas, alta de 22% em relação ao ciclo anterior e novo recorde, impulsionada pelo aumento da área plantada após a retração provocada pela praga da cigarrinha no ano passado e pela maior adoção de variedades precoces, de maior potencial produtivo.
A soja, por outro lado, deve apresentar recuo. A área destinada à oleaginosa é estimada em 16,4 milhões de hectares, queda de 1,4 milhão de hectares, o que levaria a produção a 47 milhões de toneladas, redução de 5% em relação à safra passada. Em sentido oposto, o girassol amplia espaço e alcança 2,7 milhões de hectares, o maior nível dos últimos 25 anos, com produção estimada acima de 5,5 milhões de toneladas. O sorgo deve recuar para uma área de 900 mil hectares, com produção projetada em 2,4 milhões de toneladas.
Somando todos os cultivos, a produção total de grãos da Argentina em 2025/26 superaria o recorde anterior de 141,5 milhões de toneladas, registrado na temporada 2018/19. A BCR ressalta, contudo, que os números da safra ainda são preliminares e poderão ser ajustados conforme a evolução das condições climáticas.
Com o aumento da oferta, a entidade projeta exportações de 110 milhões de toneladas de grãos, farelo, óleo e biocombustíveis no ciclo 2025/26, volume 7,5 milhões de toneladas acima do anterior e o maior já registrado pelo país. O milho deve liderar os embarques, com 40 milhões de toneladas, seguido pelo trigo, com 17 milhões de toneladas, também em patamar recorde. As exportações de soja em grão, porém, tendem a cair para 5,5 milhões de toneladas, ante 12,2 milhões de toneladas na safra passada.
A BCR observa que o conflito comercial entre Estados Unidos e China criou oportunidade para a Argentina se posicionar como fornecedora de soja ao gigante asiático, mas ressalta que esse cenário dependerá da evolução das negociações entre as duas potências.
Segundo a entidade, o valor total das exportações do agronegócio argentino deve alcançar US$ 36,8 bilhões em 2025/26, apenas US$ 600 milhões acima do ciclo anterior. O relatório observa que a queda dos preços internacionais das commodities agrícolas absorve a maior parte do efeito volume, limitando o crescimento da receita apesar do aumento expressivo nos embarques. O complexo soja deve responder por cerca de US$ 19,5 bilhões, seguido pelo milho, com US$ 8,2 bilhões, e pelo trigo, com US$ 3,75 bilhões.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
Veja também