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Aprosoja Brasil repudia invasão ao terminal da Cargill e cobra punição dos responsáveis

23 de fevereiro de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 23/02/2026 – A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) repudiou nesta
segunda-feira (23) a invasão ao terminal portuário da Cargill em Santarém (PA) e cobrou punição imediata
aos responsáveis. A entidade, que representa produtores de soja em todo o país, afirmou que os atos
ocorridos na madrugada de sábado (21) se caracterizam como “ato criminoso” e não como manifestação
legal.

Segundo a Aprosoja, a paralisação compromete contratos, eleva custos logísticos, pressiona os preços dos
grãos e afeta a competitividade do agronegócio. “É inaceitável que atos de invasão e depredação coloquem
em risco trabalhadores, infraestrutura e a economia nacional”, diz a nota. A entidade relatou destruição
de equipamentos, danos a estruturas operacionais e ameaças a trabalhadores durante a ocupação e pediu
que o poder público “atue imediatamente para punir os responsáveis, restaurar a ordem e garantir a
segurança dos trabalhadores”.

O terminal de Santarém movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, volume que
representou mais de 70% de todos os grãos embarcados no porto paraense, segundo dados do setor
portuário. A Cargill informou que as operações foram “completamente interrompidas” após a ocupação e que
há “fortes evidências de vandalismo e danos a ativos”.

A nota da Aprosoja foi divulgada no mesmo dia em que o governo federal anunciou a revogação do decreto
que originou o conflito. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu revogar o Decreto nº 12.600, que incluía as hidrovias dos
rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). O decreto, em vigor
desde agosto de 2025, autorizava o governo a avaliar a concessão da manutenção da navegabilidade dos
rios à iniciativa privada, incluindo eventuais obras de dragagem.

Os protestos indígenas em Santarém começaram em 22 de janeiro, quando o Conselho Tapajós e Arapiuns
(Cita), que representa comunidades do baixo, médio e alto Tapajós, bloqueou o acesso de veículos ao
terminal. Após 30 dias sem resposta do governo federal, o grupo escalou as ações e ocupou as instalações
da Cargill. Para os indígenas, o decreto representava ameaça à qualidade da água e à pesca nas
comunidades ribeirinhas.

A Aprosoja se soma a uma série de entidades que já divulgaram notas de repúdio à invasão, entre elas a
Abiove, a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) e a
Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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