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Anbima: Spreads sobem nas debêntures com alta da incerteza, mas tendência é de normalização

23 de abril de 2026

Por Altamiro Silva Junior

São Paulo, 23/04/2026 – Os spreads que as empresas pagam para captar com debêntures subiram no primeiro trimestre, por causa do aumento da incerteza interna e externa. Pela frente, a tendência é que tenham uma acomodação, a depender do avanço cenário. Essa é a avaliação do presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Guilherme Maranhão.

“Sem ter notícia nova, sem ter nenhum caso novo ou surpresa do ponto de vista de crédito, a tendência é que tenha uma estabilização, ou potencial fechamento”, disse o executivo em conversa com jornalistas.

Maranhão ressalta que o aumento observado no começo de 2026 refletiu uma série de fatores, desde domésticos quanto externos, como a piora geopolítica, além de casos específicos no mercado. No período, algumas empresas que são emissoras de debêntures pediram recuperação judicial ou extrajudicial.

O diretor da Anbima, César Mindof, ressalta que os spreads vinham de baixas históricas. “Em momento com um pouco mas de incerteza local e externa, é natural essa reação nos spreads. Não vemos qualquer tipo de disrupção ou descontinuidade”, afirmou.

Para Maranhão, ajustes nos spreads são até certo ponto saudáveis, para que se tenha coerência entre o momento que se está vivendo e os impactos no mercado de capitais. “O mercado de capitais está cada vez mais conectado à economia real.”

Os executivos da Anbima observam que o mercado secundário respondeu de “maneira pronta” a essa elevação dos spreads, ajudando a atenuar os efeitos. “A tendência natural é ter acomodação nos spreads, que isso se normalize. Precisa acompanhar a captação dos fundos, que são os principais compradores de renda fixa”, disse Maranhão.

Para o mercado de debêntures como um todo, Maranhão ressalta que é difícil manter os fortes níveis de captação que ocorreram em 2024 e 2025. No primeiro trimestre, a captação com debêntures recuou 4%, somando R$ 99 bilhões.

Contato: altamiro.junior@estadao.com

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