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Anbima/André: Mercados devem seguir voláteis, mas incerteza trouxe estrangeiro

7 de abril de 2026

Por Cynthia Decloedt

São Paulo, 07/04/2026 – O presidente da Anbima, Carlos André, disse que a volatilidade trazida pelo conflito no Oriente Médio deve continuar, mas acrescentou que as incertezas acabaram trazendo investidores para países emergentes e para o Brasil.

“A incerteza se deu de tal maneira que os investidores passaram a olhar os emergentes com melhores olhos, com estratégia de investir na margem”, afirmou durante painel de abertura do MKBR 26, evento realizado pela Anbima em parceria com a B3. André pontuou que dado o tamanho do mercado norte-americano, mesmo que os deslocamentos de recursos tenham sido relativamente pequenos, o impacto tem sido bastante positivo ao mercado brasileiro.

André disse ainda que apesar da expressiva evolução do mercado de capitais brasileiro, ainda são necessários ajustes, citando especialmente a busca de assimetria tributária entre fundos e ativos, para que os grandes investidores institucionais, como seguradoras, tragam efetivamente mais recursos ao País.

André comentou ainda sobre os avanços obtidos pelo mercado de capitais ao longo dos últimos anos, especialmente o de renda fixa crédito privado, que já financia um terço das companhias brasileiras.
Segundo ele, o juro alto é um dos componentes que contribuem para o interesse na renda fixa, mas o essencial é que o mercado está funcional, ou seja, o secundário com liquidez e transparência de preço. “Com uma referência de preço, é possível trazer novas emissões com precificação correta e demanda no mercado, o que dá saída aos investidores e deixa as instituições mais confortáveis em participar desse ecossistema”, afirmou André.

Ele citou, por exemplo, que nas últimas semanas os spreads (prêmios de risco) exigido pelos investidores para comprar papéis de empresas se adequaram em patamares mais altos, mostrado o amadurecimento do mercado.

André falou ainda do sistema Fácil, recentemente regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O executivo disse acreditar que sua expectativa é de que a nova regra acabe se concentrando no crédito privado. “Temos de testar o mercado, é novo, as condições estão ali na nova regra, mas temos de testar emissões que componham uma carteira ou atendam um público específico”, afirmou.

Contato: cynthia.decloedt@estadao.com

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