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8 de abril de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 08/04/2026 – A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) aderiram a manifesto de 53 entidades contra uma eventual revisão da tributação sobre remessas internacionais de baixo valor, conhecida como “taxa das blusinhas”, e afirmaram, em nota, que a medida pode afetar a cadeia algodão-têxtil no País. O movimento foi divulgado após relatos, na imprensa, de que o governo avalia mudanças na cobrança sobre produtos importados vendidos por plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.
Em nota, as entidades disseram que uma eventual redução ou extinção da tributação pode ampliar a entrada de produtos têxteis importados, sobretudo de origem sintética, e pressionar a competitividade da indústria nacional. “A proposta representa um risco concreto de retrocesso para a cadeia produtiva nacional, especialmente em setores diretamente impactados pela concorrência internacional, como o têxtil e o de vestuário, ambos fortemente conectados à produção de algodão no País”, afirmou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, em nota.
Para as associações, o tema interessa ao agro porque a demanda da indústria têxtil doméstica influencia o consumo de algodão produzido no Brasil. Na mesma nota, Piccoli disse: “O fortalecimento da indústria têxtil nacional amplia a demanda por matéria-prima brasileira, consolidando o algodão como um dos pilares da indústria brasileira de transformação”.
O manifesto ao qual Abrapa e Anea aderiram reúne entidades da indústria, do varejo e de trabalhadores. No documento, os signatários defendem a manutenção da tributação criada no âmbito do programa Remessa Conforme, com incidência de ICMS a partir de 2023 e de imposto de importação em 2024. Segundo o texto, a medida contribuiu para melhorar o nível de atividade em segmentos como vestuário, calçados, eletroeletrônicos, móveis e materiais de construção, além de elevar a arrecadação e o emprego.
As entidades citam, no documento, dados segundo os quais o comércio criou 860 mil empregos diretos desde 2023, enquanto a indústria abriu 578 mil vagas no mesmo período. O documento também afirma que uma eventual reversão da política poderia representar perda anual próxima de R$ 42 bilhões para a União, ao considerar não apenas a arrecadação do imposto de importação, mas também os efeitos indiretos sobre as vendas do varejo e da indústria nacionais.
No caso específico da cadeia do algodão, Abrapa e Anea acrescentaram, em nota, que a possível ampliação das importações têxteis pode reforçar a participação de fibras sintéticas no mercado brasileiro. Segundo as entidades, o complexo algodão-têxtil reúne cerca de 1,3 milhão de empregos formais e 8 milhões indiretos, com aproximadamente 60% das vagas ocupadas por mulheres. As associações também afirmaram que o debate deve considerar os efeitos econômicos, sociais e ambientais.
Outro ponto apresentado pelas entidades foi o perfil das importações têxteis. De acordo com a nota, as compras externas do setor passaram de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2015 para mais de 2 milhões de toneladas em 2024. Desse total, afirmam Abrapa e Anea, aproximadamente 94% corresponderam a fibras sintéticas e artificiais, enquanto o algodão e outras fibras naturais responderam por menos de 6%.
No manifesto, os signatários também sustentam que a tributação das plataformas estrangeiras não eliminou a diferença de carga tributária em relação ao setor produtivo instalado no Brasil, mas reduziu parte da assimetria concorrencial. Entre as entidades que assinam o documento estão Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), além da própria Abrapa e da Anea.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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