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Açúcar/UE: Comissário propõe suspensão de regime de importação para aliviar produtor local

28 de janeiro de 2026

Por Guilherme Nannini

São Paulo, 28/01/2026 – O Comissário de Agricultura e Alimentação da União Europeia, Christophe Hansen, anunciou, na segunda-feira (26), no X, o lançamento de uma revisão abrangente (“health check”) dos principais mercados agrícolas do bloco e propôs, como primeira medida, a suspensão temporária do regime de aperfeiçoamento ativo (Inward Processing Regime – IPR) para o açúcar. A iniciativa tem por objetivo aliviar a pressão sobre os produtores europeus em um momento de cotações deprimidas e desafios de mercado.

O regime IPR permite que empresas europeias importem açúcar com isenção de direitos aduaneiros e sem limites de volume, desde que a commodity seja refinada ou processada em produtos alimentares e posteriormente reexportada para fora da União Europeia (UE). A suspensão do mecanismo afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor da commodity sob essa modalidade.

Segundo dados da Comissão Europeia, as importações de açúcar bruto pela UE via IPR somaram 587 mil toneladas no ano comercial 2024/25, um aumento de 19% em relação ao ciclo anterior. Desse total, 95% tiveram como origem o Brasil. Já as importações de açúcar branco sob o mesmo regime totalizaram 155 mil toneladas (alta de 5%), com o Brasil respondendo por 43% do volume, seguido por Marrocos, Egito e Ucrânia.

A Confederação Internacional dos Produtores de Beterraba Europeus (Cibe) celebrou a proposta de Hansen, classificando-a como uma decisão “rápida e corajosa” que envia um sinal correto ao mercado. A entidade, que vinha alertando para a situação deprimida dos preços internos, declarou apoio total à medida. Hansen afirmou que o processo de revisão dos mercados buscará identificar desafios e oportunidades e será conduzido em diálogo com as partes interessadas.

Contato: guilherme.nannini@estadao.com

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