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Abramilho: tarifas dos EUA a países que negociam com Irã podem gerar impacto indireto ao Brasil

14 de janeiro de 2026

Por Julia Maciel

São Paulo, 14/01/2025 – A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) afirmou, em comunicado, que as possíveis tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra países que negociam com o Irã podem gerar impactos indiretos ao Brasil. Segundo a entidade, o risco residiria no aumento dos custos das transações comerciais brasileiras com o mercado norte-americano e na ampliação da insegurança regulatória no cenário global.

As ameaças tarifárias foram veiculadas apenas por redes sociais e carecem de formalização por documentos oficiais da Casa Branca. Segundo a Abramilho, atualmente, o intercâmbio comercial entre Brasil e Irã movimenta aproximadamente US$ 3 bilhões, com foco na exportação de milho. Em 2025, o Irã adquiriu 9 milhões de toneladas do cereal brasileiro. “Historicamente, o Irã se caracteriza por ser um parceiro comercial estável, com compras recorrentes e relevantes de milho, destinado especialmente para o consumo humano e para a alimentação animal”, disse a entidade, em nota.

A associação destaca que o fornecimento de milho possui caráter humanitário e estratégico para a segurança alimentar, sendo insumo básico na produção de proteínas animais. “O mercado global de milho é concentrado em quatro grandes exportadores – Brasil, Estados Unidos, Argentina e Ucrânia -, o que torna qualquer bloqueio comercial um fator de desequilíbrio nos preços e na oferta mundial”, afirma.

A Abramilho manifestou baixa expectativa de que as restrições avancem sobre o setor de alimentos devido à relevância social do setor. Até o momento, as vendas brasileiras para o mercado iraniano permanecem sem impedimentos diretos. A continuidade das relações comerciais com Teerã depende de avaliações de política externa conduzidas pelo governo federal.

A entidade informou ainda que manterá o acompanhamento das movimentações diplomáticas e comerciais em Washington. “A decisão de manter o fluxo de exportações ou ceder às pressões tarifárias norte-americanas cabe exclusivamente à administração federal brasileira, que deve ponderar os riscos geopolíticos e econômicos envolvidos.”

Contato: julia.maciel@estadao.com

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