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ABDE/PNUD: IFDs destinam R$ 2,3 tri em ações sustentáveis entre 2020 e 2024

11 de novembro de 2025

Por Cícero Cotrim

Brasília, 11/11/2025 – As instituições financeiras de desenvolvimento (IFDs) desembolsaram, entre 2020 e 2024, R$ 2,3 trilhões em ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Os dados, obtidos com exclusividade pela Broadcast, constam de um levantamento da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que será apresentado oficialmente nesta quarta-feira, 12, na COP30.

Só em 2024, foram R$ 310,45 bilhões em desembolsos (liberação efetiva de recursos) de 17 IFDs que forneceram os dados até o fechamento do estudo. Nesta edição, pela primeira vez, há também informações sobre as contratações (aprovações de operações), que somaram R$ 1 trilhão no ano passado, considerando dados de 12 instituições. As IFDs incluem o BNDES, a Finep, grandes bancos públicos nacionais (como Banco do Brasil e Caixa), bancos públicos regionais, bancos cooperativos e agências de fomento.

Os ODS são um conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015, dentro da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Eles formam um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas desfrutem de paz e prosperidade até 2030.

Segundo Euler Mathias, vice-presidente da ABDE e diretor de Governo do Banco do Brasil, a entidade vem buscando fortalecer o uso dos ODS como uma diretriz para os financiamentos concedidos pelas suas 35 afiliadas. Além disso, há a preocupação de ampliar os recursos disponíveis para os objetivos. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que, até 2035, países em desenvolvimento vão precisar de US$ 310 bilhões por ano para se adaptar às mudanças climáticas.

“Todo o Sistema Nacional de Fomento (SNF) vem fazendo um trabalho, e a ABDE apoiando, para que seja crescente esse número de recursos para os ODS”, explica Mathias.

A tendência é de crescimento. Em uma série que leva em conta apenas as informações das 17 IFDs que forneceram dados para o ano passado, os desembolsos alinhados aos ODS saltaram de R$ 234,41 bilhões em 2020 para R$ 358,22 bilhões em 2023, o pico da série. Na passagem para 2024, houve uma queda de 13,3%, para R$ 310,45 bilhões. Mas esse resultado pode refletir a realização das eleições municipais, que, por lei, limita a possibilidade de operações de crédito com municípios.

O executivo cita o exemplo do próprio BB, cuja carteira de crédito sustentável está em torno de R$ 370 bilhões, e deve chegar a R$ 500 bilhões até 2030. E lembra que as contratações com Estados e municípios cresceram de um nível próximo de R$ 3 bilhões ao ano em 2019 e 2020, para cerca de R$ 20 bilhões ao ano entre 2023 e 2024, o que aumenta a destinação de recursos aos ODS. “Hoje, de 93% a 95% se enquadram nos objetivos do ODS, porque são coisas que se enquadram no A, ou no S, ou no G do ASG”, ele diz, citando a sigla em português para Ambiental, Social e Governança.

O líder da unidade de desenvolvimento socioeconômico inclusivo do Pnud no Brasil, Cristiano Prado, destaca a importância de compartilhar com a sociedade a necessidade de recursos para fazer a Agenda 2030 avançar. Ele lembra que, globalmente, serão necessários US$ 4,3 trilhões ao ano para atingir esses objetivos. Por isso, destaca a importância de metodologias capazes de mensurar o uso de fluxos financeiros para fazer os ODS avançarem – como a desenvolvida pelo próprio Pnud e pela ABDE -, para que seja possível entender para onde os recursos estão sendo direcionados.

“Essa metodologia tem um papel muito importante, que permite enxergar para onde estão indo os fluxos de financiamentos, e discutir com agências, bancos de fomento, como podemos ampliar o impacto individual daquele banco, daquela agência, dos empréstimos e operações financeiras, aos ODS”, afirma. O SNF representa 46% do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Composição

No acumulado dos últimos cinco anos, considerando apenas as 17 IFDs que forneceram informações para 2024, há uma predominância expressiva do financiamento aos ODS relacionados à dinamização da economia e à infraestrutura. O ODS 8, de Trabalho Decente e Crescimento Econômico, concentrou R$ 344,3 bilhões dos desembolsos (22,8% do total), e o ODS 9, de Indústria, Informação e Infraestrutura, ficou com R$ 278,6 bilhões (18,4%). Ambos podem ter sido beneficiados por iniciativas do governo, como a Nova Indústria Brasil.

O ODS 2, de Fome Zero e Agricultura Sustentável, recebeu R$ 279,4 bilhões (18,5%). O ODS 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis, somou R$ 112,8 bilhões em desembolsos (7,5%). A categoria inclui investimentos em habitação, mobilidade e saneamento, como o financiamento a compras de ônibus elétricos e a requalificação de cidades por meio de obras de drenagem e resiliência climática.

Segundo Cristiano Prado, do Pnud, um desafio é destinar recursos também aos ODS que recebem menos financiamento, a exemplo da Igualdade de Gênero (ODS 5), que recebeu apenas R$ 403,34 milhões entre 2020 e 2024. “Surge a percepção de uma oportunidade, de trabalhar com o SNF e pensar como alinhar mais os objetivos que estão sendo impulsionados muito pouco. Inclusive, com incentivos nas linhas de financiamento, alinhando a questões de gênero”, ele diz.

Contato: cicero.cotrim@broadcast.com.br

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