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ABBC/Nexus: Aposentados recorrem ao consignado para superar aperto e reequilibrar finanças

11 de março de 2026

Por André Marinho

São Paulo, 10/03/2026 – O consignado vinculado ao INSS se tornou um instrumento importante para garantir que aposentados e pensionistas mantenham o equilíbrio financeiro, em um cenário de endividamento crescente e incertezas sobre as finanças das famílias. A conclusão reflete análise de uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e conduzida pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados.

Segundo o levantamento, 56% dos contratantes da modalidade buscaram a linha por necessidade financeira, bem à frente do segundo motivo mais citado, a facilidade na contratação (14%). Também mais da metade dos brasileiros consultados (53%) enfrentam dificuldades para manter as contas em dia, comparado com 41% que já quitaram seus débitos.

Ainda conforme a sondagem, apenas 14% dos entrevistados consideram a própria situação financeira como ótimo ou boa, enquanto 45% a classificam como ruim ou péssima. Para 51%, as despesas de casa são os principais fatores que causam preocupação, seguido de dívidas/empréstimos (32%), capacidade de juntar dinheiro para o futuro (22%) e não ter recursos para comprar itens básicos. Notadamente, 19% se preocupam com ter dinheiro para comer.

O estudo ocorre no momento em que os bancos têm expressado temor quanto aos efeitos de novas restrições adotadas pelo INSS. O bloqueio mensal instituído pelo órgão é visto como o principal entrave para 27% das pessoas que tiveram dificuldades para contratação do crédito, além da barreira automática para obter o consignado por 90 dias após a concessão de benefícios novos do INSS, citado por 18%.

O presidente da ABBC, Leandro Vilain, afirma que a originação do consignado do INSS caiu 31% no ano passado, diante das novas camadas de proteção e segurança. Como a maior parte dos beneficiários estão negativos, eles acabam sem acesso a outros linhas de crédito no sistema formal. “Sem alternativa, recorrem a familiares, amigos, empregadores ou ao mercado informal de crédito”, diz Vilain.

A pesquisa aponta que 70% dos participantes temem ameaça à estabilidade financeira se não tiverem acesso ao consignado. Ao longo do último ano, o INSS apertou a fiscalização sobre práticas ligadas ao crédito vinculado a benefícios e chegou a assinar termos de compromissos com instituições para ajustarem mecanismos de correção. O órgão buscou combater, em particular, as suspeitas de venda casada na concessão do consignado, muitas vezes acompanhado de produtos como seguros.

Vilain reconhece a importância de promover melhorias nos processos, mas alerta para o risco de que restrições excessivas dificultem o acesso ao crédito para um público que, em muitos casos, tem menor familiaridade com recursos tecnológicos. “Precisamos proteger esse consumidor, mas não podemos impedi-lo de acessar um serviço ao qual ele tem direito”, defende.

Para Vilain, a solução deve passar por uma atuação conjunta entre o regulador, o INSS, os bancos e o Dataprev, que é operador tecnológico do sistema. “Quando você implementa essas camadas adicionais de segurança, é preciso reconhecer que para uma parcela da população o processo fica mais difícil”, reforça.

A pesquisa entrevistou, por telefone, 1.200 tomadores do consignado do INSS em todas as regiões do País, no período entre 10 e 22 de fevereiro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais e o intervalo de confiança, de 95%.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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