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4Intelligence: real dificilmente manterá trajetória de fortalecimento ao longo do ano

13 de fevereiro de 2026

Por Antonio Perez

São Paulo, 13/02/2026 – O real se beneficiou neste início de ano de um quadro externo favorável a divisas emergentes, com avanço dos preços de commodities e um movimento de rotação global de carteiras, mas “dificilmente” manterá a trajetória de fortalecimento vista até aqui ao longo deste ano. A avaliação é da 4Intelligence, que estima taxa de câmbio em R$ 5,65 no fim de 2026, acima da mediana das projeções do Boletim Focus, de R$ 5,50.

A consultoria elenca fatores externos e domésticos que podem levar a uma depreciação da moeda brasileira nos próximos meses. Entre as ameaças globais ao real está a possibilidade de o Federal Reserve adotar uma “postura mais hawkish” na condução da política monetária, dada a inflação “persistentemente acima da meta”.

Outro ponto levantado pela 4Intelligence é uma eventual “frustração” com os retornos esperados dos investimentos em inteligência artificial. Isso poderia desencadear uma correção dos mercados acionários americanos e consequente aumento da aversão global ao risco, afugentando investidores de ativos e moedas emergentes, como o real.

Do lado doméstico, a consultoria alerta que a corrida presidencial, até agora com “impactos modestos no mercado”, ganhará “contornos mais definidos” no terceiro trimestre, quando o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “tende a se consolidar”.

“A perspectiva de continuidade da atual administração tende a reavivar as incertezas em torno da condução da política fiscal, sobretudo diante da ausência de propostas claras para a sustentabilidade das contas públicas”, afirma a 4Intelligence, em relatório enviado a clientes. “Sintoma desse receio é a manutenção de elevadas taxas de juros reais no mercado de NTN-B, as quais persistem mesmo diante da expressiva valorização de outros ativos e da própria moeda local”.

A consultoria ainda lembra que a atratividade do real pode diminuir com a redução do diferencial de juros interno e externo ao longo do ano, dada a indicação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de início de um ciclo de cortes da taxa Selic, hoje em 15% ao ano, a partir de março. Além disso, a própria estabilidade das projeções da taxa de câmbio em R$ 5,50 no Boletim Focus “constitui sinal eloquente da cautela que cerca o real”.

“Assim, a valorização do real, embora amparada em fundamentos externos favoráveis e em fluxos expressivos de capitais, revela-se cada vez mais dependente de condições passíveis de reversão ao longo de 2026”, afirma a 4Intelligence.

Contato: antonio.perez@estadao.com

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