Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

A incoerência no debate sobre a mineração

*Henrique Carballal Vivemos em uma era de contradições gritantes. Um dos exemplos mais evidentes disso é a postura daqueles que, com um celular na mão, gravam vídeos dizendo que a mineração

31 de julho de 2025

*Henrique Carballal

Vivemos em uma era de contradições gritantes. Um dos exemplos mais evidentes disso é a postura daqueles que, com um celular na mão, gravam vídeos dizendo que a mineração deve acabar. Ora, se a mineração acabar, não haverá mais celulares, nem desenvolvimento da ciência e da medicina, nem indústrias. Voltaríamos à era da pedra lascada, na qual, inclusive, também se dependia da mineração. Essa incoerência é tão extrema que poderíamos analisá-la sob a ótica de um desafio à lógica comum.

A mineração está presente em tudo o que diz respeito à vida moderna. Literalmente tudo. Desde o momento em que acordamos e pegamos nossos celulares, que contêm cerca de 60 elementos químicos extraídos da terra, até o transporte que utilizamos, as construções onde vivemos e os equipamentos médicos e remédios que salvam vidas.

A mineração está no lítio das baterias, no cobre dos circuitos, no silício das telas, no ouro, na prata, além de fornecer componentes essenciais para a produção de medicamentos que tratam dores de cabeça, nas articulações e em outras enfermidades similares, utilizando minerais e metais como sódio, cálcio, potássio, magnésio e molibdênio.

É óbvio que aqui não estamos falando de garimpos ilegais ou de mineradoras que insistem em operar sem respeito à comunidade e sem atenção a indicadores de sustentabilidade. A mineração irresponsável deve ser denunciada e combatida, sim, tal como as atividades ilegais que ocorrem em quaisquer outros setores, como na agricultura, na construção civil e no comércio.

A questão é que essa oposição generalizada contra a mineração é um contrassenso. Há um claro paradoxo quando se usufrui dos benefícios e, ao mesmo tempo, se combate a fonte. O que torna essa situação ainda mais ilógica é que as críticas não vêm de pessoas completamente alheias ao mundo real, mas de supostos “ativistas” e “intelectuais” que insistem em defender narrativas incompatíveis com a realidade. São aqueles que, mesmo usufruindo de todos os benefícios da mineração, promovem discursos radicais contra a atividade. Esse fenômeno se assemelha às táticas de desinformação e negacionismo que são frequentemente criticadas em diversos debates políticos.

O perigo do extremismo ideológico

Assim como existem movimentos que distorcem a realidade para defender teses absurdas, como a do Terraplanismo, por exemplo, também observamos a mesma tendência em alguns segmentos de radicalismo com outras agendas.

Esses grupos, por sua vez, fazem exatamente o mesmo: propagam desinformação e buscam manipular a opinião pública em nome de uma causa que, por vezes, carece de uma compreensão profunda sobre o assunto. O resultado disso é um debate empobrecido e um setor econômico fundamental sendo tratado como vilão. É crucial ressaltar que todo extremismo é perigoso, seja ele de esquerda ou de direita, pois ambos tendem a ignorar a complexidade dos temas em favor de dogmas.

Evidentemente, a mineração precisa ser feita de forma responsável, como afirmei anteriormente. Mas defender que a mineração deve acabar é um absurdo que ignora a realidade. Quem defende essa ideia não apenas ignora a importância dos minerais para a sociedade, mas também demonstra uma falta completa de compreensão sobre como o mundo moderno funciona.

O problema não está na mineração em si, mas na inflexibilidade e na incoerência de quem a critica sem abrir mão dos seus benefícios. Enquanto isso continuar ocorrendo, seguiremos reféns de um discurso histérico, radical e desprovido de qualquer embasamento lógico.

Espero que, um dia, essas posições extremistas deem lugar a um debate mais pragmático e construtivo. Mas, enquanto isso não acontece, continuamos assistindo ao espetáculo de uma rigidez ideológica que prejudica a busca por soluções reais.

E a transição energética? Continuará dependendo da mineração sustentável e inclusiva, a única capaz de viabilizar as tecnologias que podem, de fato, salvar o planeta.

*Henrique Carballal, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM)

OESP não é(são) responsável(is) por erros, incorreções, atrasos ou quaisquer decisões tomadas por seus clientes com base nos Conteúdos ora disponibilizados, bem como tais Conteúdos não representam a opinião da OESP e são de inteira responsabilidade da Agência Minera Brasil.

Veja também