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Coluna do Estadão: Lula fica fora da Agrishow e amplia terreno da oposição com agronegócio

27 de abril de 2026

Por Roseann Kennedy, do Estadão

Brasília, 27/04/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não irá a Agrishow 2026, que teve abertura oficial neste domingo, 26, em Ribeirão Preto (SP), e fechará o terceiro mandato à frente da Presidência sem comparecer à maior feira agropecuária do País. Com isso, o petista amplia o terreno do setor com seus opositores, em pleno ano eleitoral.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e os ex-governadores Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) confirmaram presença. E iniciam as visitas a partir desta segunda-feira, 27.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vai à Agrishow de braços dados com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Zema e Caiado, nos dias seguintes, transformando os corredores da feira em espaço para reforçar críticas ao atual governo, principalmente diante de um público que tem muito mais proximidade com a direita.

Nos últimos anos, a Agrishow deixou de ser apenas um hub de negócios e virou um termômetro da sucessão presidencial. Com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, o setor – historicamente alinhado ao ex-presidente – tornou-se o principal espólio político em disputa.

A relação entre o governo Lula e a Agrishow e o entrou em colapso logo no primeiro ano de mandato. Em 2023, houve um polêmico “desconvite” ao então ministro da Agricultura Carlos Fávaro. O motivo seria devido a presença do ex-presidente, Jair Bolsonaro, que também foi convidado para marcar presença no mesmo dia. Tamanha tensão, o governo Lula ameaçou retirar patrocínios.

No ano seguinte, a Agrishow alterou seu formato de abertura para evitar novos conflitos, mas acabou servindo de vitrine para os políticos de oposição. Em 2024, pela primeira vez em 30 anos, foi aberta sem participação do público. A solenidade foi antecipada em um dia, com presença exclusiva a expositores, autoridades e imprensa.

Na ocasião, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Caiado, que estava no governo de Goiás, participaram de uma manifestação em Ribeirão Preto em apoio ao ex-Bolsonaro, enquanto a Agrishow realizava sua cerimônia de abertura com a presença de Alckmin e de Carlos Fávaro.

Ou seja, Lula sabe que enfrentaria um público majoritariamente crítico e um histórico de tensões com o setor. Coube ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e ao ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, representarem o governo Lula no domingo, para destacar a abertura de 600 novos mercados para o agronegócio nacional durante o mandato, além de promessas de juros mais baixos nos financiamentos recordes ao setor por meio do Plano Safra.

Os adversários recebidos de braços abertos e mantêm o foco na pauta ideológica, na aproximação natural com o segmento, na rejeição às invasões de terras e na defesa da segurança jurídica no campo.

Em discurso com forte tom político durante a abertura da Agrishow no ano passado, por exemplo, Ronaldo Caiado defendeu a união de lideranças estaduais em torno de uma candidatura à Presidência da República com foco no agronegócio em 2026.

O agro representa uma fatia do eleitorado que detém não apenas poder econômico, mas uma enorme capacidade de mobilização política, especialmente nas cidades do interior paulista e do Centro-Oeste, onde Lula tem dificuldade de conquistar votos.

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