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25 de abril de 2026
Por Bianca Gomes, do Estadão
São Paulo, 25/04/2026 – Aliado de Valdemar Costa Neto e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL) avançou nas negociações para ficar com a segunda vaga ao Senado na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao Estadão, Do Prado disse que a definição deve sair em até 15 dias e que o anúncio caberá ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Se for o escolhido, o presidente da Alesp afirmou que deseja ter Eduardo como seu suplente.
“Fiz o convite para que, se a decisão for pelo meu nome, ele esteja na suplência”, afirmou André do Prado. O líder do Legislativo paulista viajou aos Estados Unidos na última semana ao lado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para uma nova rodada de conversas com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma eventual candidatura de Eduardo Bolsonaro a suplente carrega riscos jurídicos. Para Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da FGV-SP, caso ele entre na disputa, certamente haverá questionamentos sobre sua elegibilidade por parte de adversários.
Isso porque o deputado teve o mandato cassado por excesso de faltas na Câmara. Eduardo responde ainda a um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), onde é acusado do crime de coação no curso do processo – por tentar impedir o andamento da ação que investigou a tentativa de golpe de Estado e levou a condenação do ex-presidente Bolsonaro.
“Sobre a cassação por faltas, há espaço para discussão. Até onde tenho conhecimento, nunca houve análise de mérito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E, mesmo que houvesse, a composição da Justiça Eleitoral muda com frequência, e não é incomum que a Corte adote entendimentos diferentes sobre precedentes”, afirma Neisser.
Segundo ele, se a cassação decorresse de um processo ético, a inelegibilidade estaria dada; como se trata de falta, é necessário a análise do TSE. Já em relação ao processo criminal em andamento, uma eventual condenação até o prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto, tornaria Eduardo inelegível.
“Se a Corte entender que ele não pode ser candidato e isso ocorrer até 20 dias antes da eleição, ainda haverá tempo hábil para o partido substituir o nome na chapa. Caso a decisão saia após o prazo de substituição, a candidatura será indeferida, impedindo a participação na eleição; se vier depois da votação, os votos eventualmente recebidos por toda a chapa serão considerados nulos pela Justiça Eleitoral”, explica o especialista.
Residência nos EUA não impede candidatura
O professor da FGV-SP afirma que o fato de Eduardo morar nos Estados Unidos não impede uma eventual candidatura. A única exigência, segundo ele, é que mantenha domicílio eleitoral em São Paulo.
Para André do Prado, o importante é que, neste momento, Eduardo Bolsonaro está elegível e, caso surja algum risco jurídico, o partido pode discutir a substituição da candidatura.
Vaga disputada
Eduardo, que antes de se autoexilar nos Estados Unidos tinha planos de disputar o Senado, é considerado o “dono” de uma das duas indicações deste ano. A outra ficou sob responsabilidade do governador, que optou pelo ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP).
André do Prado disse ter tido uma conversa “de alto nível” com Eduardo, na qual expôs os motivos pelos quais acredita ser o nome mais competitivo do PL para a disputa.
“Nos próximos 15 dias, o Eduardo deve anunciar a escolha, mas antes vai conversar com os demais nomes colocados”, disse o deputado estadual. Também estão no páreo o deputado federal Mário Frias (PL-SP), o vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), e o deputado estadual Gil Diniz (PL).
Frias e Diniz são apontados como parlamentares do “grupo” de Eduardo Bolsonaro, enquanto André integra a chamada ala “raiz” do PL, que estava no partido antes da chegada de Jair Bolsonaro. Ainda assim, o presidente da Alesp tem buscado demonstrar proximidade com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro e reforçar sua lealdade ao grupo. Nas últimas semanas, ele publicou nas redes sociais registros de agendas antigas com Jair Bolsonaro, além de conteúdos da pré-candidatura do senador.
Relação com prefeitos e perfil moderado
Ao filho de Jair Bolsonaro, o presidente da Alesp afirmou ser, entre os três nomes colocados para a vaga na disputa por uma cadeira no Senado, o mais próximo do governador Tarcísio de Freitas, o que, segundo ele, representa uma vantagem para a disputa. Gil Diniz, por exemplo, é visto como um desafeto do governador, em razão de críticas públicas que fez à gestão estadual nesses últimos anos.
André do Prado está em seu quarto mandato consecutivo na Assembleia paulista e chegou à presidência da Casa graças a uma articulação de Valdemar Costa Neto. Embora não fosse a escolha inicial de Tarcísio para o posto, conquistou a confiança do governador ao viabilizar a aprovação de todos os projetos de interesse do Executivo, incluindo a privatização da estatal de saneamento (Sabesp), a PEC da Educação e o programa de escolas cívico-militares.
Na Alesp, André do Prado é visto como um presidente de perfil conciliador, que faz concessões à oposição e tem uma gestão voltada à aprovação de projetos de deputados. Essa postura o colocou em uma posição incomum: ser benquisto até mesmo pelo PT. Não por acaso, o partido apoiou a mudança na Constituição estadual que permitiu sua recondução à presidência.
Em conversa com Eduardo Bolsonaro, André afirmou que, se escolhido para disputar o Senado, poderá contribuir tanto com a campanha de Flávio Bolsonaro quanto com a de Tarcísio, atuando na articulação com prefeitos, deputados e vereadores em São Paulo, com quem mantém proximidade.
“Não tenho, de fato, tanta proximidade com o Eduardo, mas me identifico com o projeto do partido. Posso atrair o voto moderado e furar a bolha do bolsonarismo. Além disso, tenho proximidade com o governador, o que é importante para a candidatura ao Senado.”
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