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25 de abril de 2026
Por Vera Rosa, do Estadão
Brasília, 25/04/2026 – Em discurso por vídeo na abertura do 8º Congresso do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou os militantes do partido a ir às ruas na campanha deste ano. Com um chapéu Panamá na cabeça e um tom de ‘puxão de orelha’, Lula pediu aos filiados do partido, na noite desta sexta-feira, 24, que levantem do sofá e troquem as mensagens de WhatsApp pelo olho no olho em busca de votos.
“Nada supera a gente ter coragem de pegar um panfleto, andar na rua, bater palma no portão das pessoas, olhar nos olhos e convencer as pessoas”, disse Lula, que é candidato à reeleição. “É assim que a gente faz política: não é sentado num sofá fazendo um Zap. Eu converso com os olhos. No Zap você não vê os olhos das pessoas”.
Lula não compareceu pessoalmente à abertura do encontro petista, que vai discutir tática eleitoral e diretrizes de seu programa de governo, porque se submeteu a um procedimento médico para remover uma lesão de pele na cabeça, em São Paulo. Ao mandar uma gravação em vídeo para os petistas, porém, ele fez questão de ir logo dizendo que está bem de saúde.
“Eu estou muito bem e vou ser presidente outra vez. Não porque eu quero, mas porque o povo brasileiro precisa de alguém que seja responsável, de alguém que saiba ouvir, de alguém que consiga conversar com os olhos e com o coração das pessoas”, afirmou o presidente.
Ele contou ter lido todas as diretrizes do programa de governo propostas pelo PT, mas fez alguns reparos: insistiu em que o partido só prometa o que dá para fazer. “Quem está no governo tem como grande arma mostrar o que fez. Se a gente fez as coisas corretas, não perderemos as eleições para ninguém”.
Sem citar o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal desafiante, Lula tentou injetar ânimo na tropa petista. “Um partido que está no governo não corre atrás do adversário. É o adversário que corre atrás dele. É ele que tem que botar a bola para a frente”, argumentou.
Pesquisas de intenção de voto indicam que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados em simulações de segundo turno da disputa.
Antes de exibir a mensagem de Lula no telão do auditório onde se realizava o 8.º Congresso, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que o partido precisa ter a humildade de ouvir e entender “as dores e as angústias” dos eleitores.
“Há momentos na história em que a gente tem de ter humildade para ouvir e sentir o que a sociedade espera de nós”, avaliou Edinho. “É evidente que tem um sentimento de antissistema e o descontentamento mundial não foi gerado por nós. Mas é nossa tarefa saber ouvir e construir saídas para o que grita a sociedade”.
Edinho também cobrou reação dos correligionários à tentativa dos adversários de associar os mais rumorosos casos de corrupção ao PT e afirmou que não se pode temer os “grandes debates”. Na prática, sempre que aparece uma nova crise, escândalos protagonizados pelo partido, como os do mensalão e da Lava Jato, voltam à tona.
“Quem pediu a investigação do INSS? Quem combateu a fraude do Banco Master? Essa pessoa tem nome e se chama Luiz Inácio Lula da Silva”, disse Edinho. Em seguida, emendou: “Se nós combatemos a corrupção e o crime organizado, quem tem autoridade para defender a segurança? Nós. Então, temos de sair da defensiva e ir para a ofensiva.”
A pedido do Palácio do Planalto, o PT tirou o nome do Master e do ex-presidente Jair Bolsonaro do manifesto “Construindo o Futuro”, que será divulgado pelo partido neste sábado, 25. Todos os documentos do 8º Congresso petista passaram pelo crivo de Lula.
A primeira versão do texto defendia a reforma do sistema financeiro para prevenir riscos, “especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master”, mas o trecho foi suprimido.
Nos bastidores, dirigentes do PT disseram ao Estadão que o governo não vê sentido em citar o escândalo do Master em um documento que sinaliza o compromisso de Lula para o quarto mandato. As 15 referências a Bolsonaro contidas no manifesto também foram retiradas e trocadas por “governo anterior”. Lula quer a comparação com o antecessor, mas sem citar o nome dele.
Desde que as irregularidades do banco de Daniel Vorcaro vieram a público, a ordem no Planalto e na cúpula do PT foi colar o escândalo a Bolsonaro e ao Centrão – daí o carimbo “Bolsomaster” -, e destacar que as investigações da Polícia Federal ocorreram na gestão Lula.
O vice-presidente Geraldo Alckmin compareceu ao primeiro dia do encontro petista e foi chamado de “companheiro” pela plateia. No discurso, Alckmin afirmou que Lula “salvou a democracia” e pode contar com sua lealdade. “Se perdendo as eleições, tentaram dar um golpe, imagem se tivessem ganho”, disse ele.
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