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Fertilizantes: IAC traz orientações estratégicas para agricultor diante da alta de preço

22 de abril de 2026

São Paulo, 22/04/2026 – Os agricultores precisam aumentar a eficiência no uso dos insumos, com a previsão de valores recordes para os fertilizantes, provocados pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Nesse contexto, o Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em Campinas (SP), divulgou em comunicado três ações essenciais para melhor direcionar os investimentos e manter a produtividade na lavouras. A primeira recomendação é realizar análise de solo para fazer uso racional e sob prescrição dos fertilizantes escassos ou caros. A segunda orientação é adotar boas práticas agrícolas que favoreçam a eficiência de uso dos insumos pelas culturas. A terceira é utilizar calcário – insumo de baixo custo e produzido no Brasil – que prepara o solo para o melhor aproveitamento dos nutrientes aplicados e dos já disponíveis no solo.

Segundo o IAC, a análise de solo é a ação fundamental que permite conhecer exatamente o que precisa ser reposto pontualmente. Com esse diagnóstico, o investimento será no produto correto e na dose necessária.

A segunda medida a ser adotada é a calagem, que potencializa o aproveitamento da adubação ao melhorar a disponibilidade e eficiência dos nutrientes. Essa técnica traz diversos benefícios agrícolas a custo acessível, já que o calcário é um recurso abundante no Brasil graças às grandes reservas existentes, o que garante investimento bem inferior em comparação aos insumos importados. Ao ser incorporado ao solo, o calcário corrige sua acidez, tornando-o mais favorável ao crescimento das plantas. Além disso, neutraliza a toxidez do alumínio, que em excesso compromete o desenvolvimento radicular da planta. Com menor acidez e toxidez, as raízes passam a crescer com maior profundidade e vigor. A prática também fornece cálcio e magnésio, nutrientes essenciais à nutrição vegetal, e aumenta a fertilidade do solo ao ampliar a disponibilidade de fósforo e de outros elementos, favorecendo a absorção pelas culturas.

O pesquisador da área de solos e vice-coordenador do IAC, da Apta (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), Heitor Cantarella, disse na nota: “Nosso objetivo é orientar estrategicamente os agricultores diante da muito provável alta nos preços dos fertilizantes, consequência da guerra que, além de tornar inviáveis rotas de transporte e encarecer os insumos, também vem comprometendo a infraestrutura de produção.”

Segundo Cantarella, as boas práticas agrícolas têm o conceito 4C: dose certa, época certa, fertilizante certo e local certo. E o agricultor precisa se atentar a cada um desses fatores para não perder dinheiro. A proposta da economia circular também integra as orientações do IAC. “O produtor pode ainda usar o que ele tem em sua propriedade, como é o caso do estercos e compostos”, orientou.

De acordo com o IAC, com o conflito no Oriente Médio, as empresas no Brasil nem sequer conseguem antecipar os preços dos fertilizantes aos agricultores, pois não sabem a que custo serão importados e por quanto as matérias-primas chegarão ao País. “Para ilustrar essa situação, o enxofre, matéria-prima de vários fertilizantes, principalmente os fosfatados, já aumentou cerca de 300% a 400% desde o início da guerra”, comentou Cantarella.

(Equipe AE)

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