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16 de abril de 2026
Por Leandro Silveira
São Paulo, 16/04/2026 – A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) formalizaram hoje a revisão do modelo do Consecana-SP, estabelecendo um novo fator de remuneração ao produtor, ajustes retroativos e mudanças relevantes na governança do sistema. O principal ponto do acordo é a criação de um fator adicional de 4,5% na remuneração da cana-de-açúcar, que será aplicado como componente exclusivo do produtor e fora da fórmula de referência do modelo. O ajuste também será retroativo às safras 2024/25 e 2025/26, além de valer para períodos seguintes. A formalização do memorando encerrou a programação do Cana Summit, evento promovido pela Orplana em Ribeirão Preto (SP), que celebrou os 50 anos da entidade.
Segundo o memorando, contratos padrão dentro do modelo “Consecana puro” – contratos que seguem integralmente a fórmula padrão do sistema, sem ajustes comerciais adicionais – também terão direito ao reajuste de 4,5% a partir da safra 2024/25. Já em novos contratos o valor mínimo de remuneração deverá incorporar esse porcentual quando a precificação ficar abaixo do patamar estabelecido.
Além da recomposição de preços, o acordo prevê mudanças na estrutura de governança do sistema, incluindo revisão do processo decisório, profissionalização da gestão, apoio externo para atualização do estatuto e implementação de auditoria independente na apuração do ATR (Açúcar Total Recuperável). Também está prevista revisão periódica do modelo a cada cinco anos, a partir da safra 2025/26.
Na avaliação das entidades, a revisão busca reduzir distorções na remuneração e aumentar a previsibilidade para produtores e indústria. “Este acordo consolida avanços importantes para o modelo Consecana-SP, com a preservação da sua base e a incorporação de mecanismos que fortalecem a segurança e a previsibilidade para o produtor de cana”, afirmou em nota o presidente do conselho da Orplana, Roberto Cestari. Ele acrescentou que o fator adicional e as novas regras de governança contribuem para um ambiente mais equilibrado. “É um passo consistente para o fortalecimento do sistema, com respeito aos contratos vigentes e às particularidades do campo”, disse.
Pelo lado da indústria, o presidente da Unica, Evandro Gussi, destacou o caráter técnico do ajuste e o fortalecimento institucional do modelo. “Este acordo marca um avanço relevante para o setor sucroenergético brasileiro. Ele reflete a capacidade de produtores e indústria de construírem soluções conjuntas, com base técnica sólida, diálogo qualificado e visão de longo prazo”, disse também no comunicado.
Durante a apresentação no evento, as entidades citaram o estudo conduzido pela FGV Agro como base técnica para a revisão dos parâmetros do Consecana. Ao Broadcast Agro, Gussi disse que o trabalho permitiu identificar distorções na precificação da cana e calibrar o modelo para aproximá-lo do valor de mercado. “Conseguimos identificar quais são esses fornecedores e principalmente qual era o índice que eles precisariam ter para ter essa correção”, afirmou. Ele acrescentou que a nova metodologia deve garantir que nenhum produtor fique fora da referência de mercado e que haverá recomposição retroativa dos valores. “Já conseguimos desenvolver a metodologia que vai dar essa garantia para o produtor que ele não vai ficar desajustado em relação ao mercado”, comentou.
Além da remuneração, a revisão do Consecana também reforça mudanças estruturais de governança e maior previsibilidade regulatória. Segundo Cestari, o novo desenho busca equilibrar interesses e sustentar a viabilidade do sistema no longo prazo. Também ao Broadcast Agro, ele destacou que o impacto do novo modelo depende das condições de mercado e da realidade de cada produtor, em um setor marcado por forte concorrência com outras culturas. “Cabe ao produtor se precificar, fazer conta, para ver qual é a viabilidade econômica dele continuar no negócio ou não”, disse.
Após a assinatura, o memorando já está em vigor, mas sua implementação formal ainda depende de etapas internas do Consecana, incluindo assembleia geral extraordinária para eleição da diretoria e deliberação final sobre o novo modelo. Na sequência, serão publicados o novo manual do sistema e regularizadas as circulares técnicas.
A Orplana representa mais de 12 mil produtores de cana em 35 associações no País, enquanto a Unica reúne usinas responsáveis por cerca de 55% da produção de cana do Centro-Sul.
Contato: leandro.silveira@estadao.com
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