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Guerra e petróleo em alta pressionam custos, e Cimed vê limite para repasse de preços

16 de abril de 2026

Por Wilian Miron

São Paulo, 08/04/2026 – A escalada de custos decorrente do cenário internacional, especialmente de conflitos geopolíticos, tem pressionado a estrutura operacional de empresas brasileiras, com impactos diretos sobre logística e insumos industriais. Na farmacêutica Cimed, a alta do petróleo nas últimas semanas fez com que houvesse aumento de custos em logística e no preço de embalagens plásticas, segundo o diretor-presidente da companhia, João Adibe.

De acordo com o executivo, a alta do petróleo é o principal vetor dessa pressão, ao encarecer inicialmente o transporte e, na sequência, toda a cadeia de produtos derivados, como plásticos. “O petróleo impacta todas as áreas. O primeiro impacto é na logística, depois em tudo que é derivado. A indústria química já começou a aplicar reajustes, com impacto direto de 10% a 15%”, afirmou.

Apesar da elevação de custos, a capacidade de repasse permanece limitada, sobretudo no segmento de medicamentos, sujeito a controle regulatório de preços. Segundo Adibe, o reajuste recente autorizado ficou em torno de 3%, patamar insuficiente para recompor margens. “Para equilibrar os custos, precisaríamos de algo entre 8% e 10%”, disse.

Diante desse cenário, a estratégia da companhia tem sido absorver parte da pressão inflacionária por meio da redução de margens, em linha com a decisão de priorizar volume e participação de mercado. O executivo ressalta, no entanto, que essa dinâmica não é sustentável indefinidamente, em um ambiente de custos elevados e volatilidade externa.

Contato: wilian.miron@estadao.com

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