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12 de abril de 2026
Por Júlia Pestana
São Paulo, 12/04/2026 – A proposta do governo de permitir o saque de até 20% do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagamento de dívidas de uma parcela da população deve ajudar a reduzir o endividamento das famílias, mas com impacto limitado no consumo e na inflação, na percepção de professores ouvidos pela Broadcast.
A proposta, em estudo pela equipe econômica, deve ser restrita a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e pode liberar cerca de R$ 7 bilhões em recursos, segundo estimativa do ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Folha de S.Paulo.
O desenho prevê ainda a concessão de descontos mínimos por parte dos bancos e uma garantia do governo para o refinanciamento do saldo restante, sem impacto direto sobre o gasto público.
Na avaliação de Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), embora haja, em tese, espaço para algum estímulo indireto ao consumo, esse não é o objetivo central da medida.
“A ideia é que o recurso seja usado para reduzir ou resolver o endividamento, aliviando a pressão financeira das famílias, e não para viabilizar novos gastos”, afirma.
Ele pondera que o efeito sobre o consumo dependerá do comportamento dos trabalhadores. Ainda assim, ressalta que, em uma população majoritariamente jovem ou de meia-idade, o impulso costuma levar a decisões sem muita reflexão, o que pode abrir espaço para algum nível de consumo adicional.
Na inflação, o efeito também tende a ser contido. “Qualquer oscilação positiva pode acabar sendo associada também a essa medida. Ainda assim, como o foco é reduzir endividamento, a tendência é que o impacto inflacionário não seja relevante, já que os recursos não devem ir diretamente para o consumo”, diz.
Na mesma linha, o economista e professor da FGV Paulo Gala avalia que a medida não deve ter impacto relevante sobre a atividade ou os preços, dado o volume limitado de recursos. “Não vejo qualquer efeito de aumento de inflação, nem aquecimento da economia por causa disso. O volume é muito pequeno”, afirma.
Para ele, a iniciativa pode trazer algum alívio, mas não resolve o problema estrutural do endividamento no País. “O governo vai tentar fazer um paliativo. Ajuda, sim, liberar o dinheiro do FGTS, mas é um volume muito pequeno diante do estoque de endividamento”, diz.
Gala ressalta que o alto nível de endividamento das famílias está ligado a fatores estruturais, como renda média baixa e juros elevados, que dificultam a capacidade de pagamento e ampliam o risco de inadimplência.
Do ponto de vista da implementação, a medida ainda depende de aval político. “Como se trata de uma modalidade não prevista, será necessária aprovação legislativa”, afirma Teixeira. Em um ano eleitoral, acrescenta, o avanço do tema deve depender da força do governo no Congresso.
Já o impacto político tende a existir, mas não de forma isolada. Em meio à divulgação de pesquisa do Datafolha, que mostrou 40% de avaliação ruim ou péssima do governo e recuo na aprovação, Teixeira afirma que medidas desse tipo podem ter efeito positivo, mas pondera que a percepção da população depende de um conjunto mais amplo de fatores. “Em um ano eleitoral, a decisão do eleitor tende a considerar um quadro mais abrangente.”
Contato: julia.pestana@estadao.com
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