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Empresas brasileiras veem interrupção dos negócios como risco mais crítico, mostra pesquisa Aon

9 de abril de 2026

Por Eduardo Laguna

São Paulo, 09/04/2026 – A possibilidade de interrupção dos negócios é apontada pelas empresas brasileiras como o principal risco, segundo pesquisa feita pela Aon, uma das maiores corretoras de seguros e consultorias de risco do mundo. Na sequência, os preços das commodities, bem como a escassez de materiais, e os ataques cibernéticos, que resultam em violação de dados, aparecem, respectivamente, na segunda e na terceira colocação do ranking de riscos corporativos no País.

O levantamento destaca que o Brasil, assim como outros países exportadores de matérias-primas da América Latina, como Chile e México, tem uma dependência crítica de rotas comerciais globais e infraestrutura logística.

A pesquisa global de gestão de riscos da Aon, que está em sua décima edição, foi realizada de forma online entre abril e junho do ano passado – antes, portanto, da escalada dos conflitos no Oriente Médio que levou ao fechamento do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo comercializado no mundo.

O estudo coletou respostas de 2.941 executivos, gestores de risco e tesoureiros de 16 setores da indústria. Participaram empresas de pequeno, médio e grande porte em 63 países e territórios ao redor do mundo.

No Brasil, a conclusão é de que o ambiente de negócios está pressionado por fatores macroeconômicos e físicos. Chama a atenção que a variação da taxa de câmbio, embora não seja destacada nos outros países, aparece na quinta posição entre os riscos mais críticos para as empresas brasileiras.

Mais de dois terços (67,4%) das companhias brasileiras entrevistadas relataram perdas financeiras relacionadas às flutuações cambiais nos últimos doze meses.

“O avanço dos riscos comerciais e operacionais evidenciam um ambiente de negócios cada vez mais volátil e incerto. Nesse cenário, a identificação estruturada dos riscos, aliada a estratégias eficazes de gestão e mitigação, deixou de ser apenas uma medida defensiva e passou a ser um diferencial competitivo”, comenta Alexandre Jardim, chefe de soluções para riscos comerciais da Aon no Brasil.

O estudo destaca ainda que, embora os ataques cibernéticos representem o terceiro maior risco na percepção dos brasileiros, apenas um quarto das empresas (24,7%) desenvolveu planos para os casos de invasões de sistemas e violação de dados. O uso crescente de inteligência artificial e o avanço acelerado da digitalização, observa a Aon, exigem que as organizações mudem a postura reativa e adotem estratégias mais proativas de gestão do risco.

Nas projeções aos riscos para os próximos três anos, a pesquisa mostra uma maior preocupação no Brasil em relação aos preços das commodities e às mudanças climáticas. O dado, interpreta a Aon, retrata a sensibilidade das empresas brasileiras às pressões inflacionárias sobre insumos, assim como à agenda ambiental. São temas decisivos para setores como o agronegócio e a indústria, observa a Aon.

Contato: eduardo.laguna@estadao.com

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