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IATA: falta de estoques de querosene expõe fragilidade e atrasa repasse às tarifas de áereas

8 de abril de 2026

Por Pedro Lima

São Paulo, 08/04/2026 – O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), Willie Walsh, avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene.

Em evento em Singapura, o executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado. “Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação”, afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.

Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. “Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados”, disse.

Segundo o diretor, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.

O diretor acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas. Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.

Contato: pedro.lima@estadao.com

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