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BofA eleva recomendação de Vale para compra e sobe preço-alvo para US$ 19

2 de abril de 2026

Por Ana Paula Machado

São Paulo, 02/04/2026 – O Bank of American elevou a recomendação dos papéis da Vale para compra e subiu o preço-alvo dos American Depositary Receipts (ADRs) da mineradora para US$ 19, o que equivale a um potencial de valorização de 18,38% ante o fechamento do ativo no pregão de ontem, de US$ 16,05.

Segundo os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite, a atualização na recomendação da mineradora ocorreu em função da alta de 8% no preço do minério de ferro, desde o início do conflito no Oriente Médio, e que não foi capturada pelos ativos da Vale (+6,6%), “o que representa uma oportunidade.”

“Como resultado, atualizamos a Vale para Compra e elevamos nosso preço-alvo para U$19/ação – assumindo uma maior produção de cobre a longo prazo, que compensa as pressões de custo relacionadas ao conflito”, disse o banco. Segundo o BofA, com o preço médio da tonelada do minério de ferro a U$ 103/tonelada, os rendimentos de fluxo de caixa podem chegar a 10%, o que é considerado atraente pela instituição. Além disso, a forte história de execução operacional da companhia permanece intacta e a Vale está bem posicionada para lidar com os impactos impulsionados pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Outro ponto destacado pelo banco é que a Vale tem portfólio flexível, permitindo que se adapte a mistura de produtos a diferentes condições de mercado. Para o BofA, há, ainda, melhora na operação de minério de ferro e cobre – com aumento no retorno de produtos premium aproveitando a sua ampla base de recursos e logística. Além disso, a companhia tem disciplina de custos e capex o que aumenta a sua lucratividade e a sua geração de caixa é superior aos pares o que reduz de riscos.

“Taxas mais altas de diesel, combustível de bunker e frete resultantes do conflito têm um impacto direto nos custos dos mineradores de minério de ferro. No entanto, a Vale parece isolada, dado que praticamente todos os contratos de frete são de longo prazo (variações de frete spot têm impacto insignificante). O Brasil também importa apenas de 20% a 25% do diesel necessário para consumo interno, em comparação com a Austrália, que compra 80% a 90% do consumo no exterior”, disse o banco.

O BofA ressaltou, ainda, que os preços do minério de ferro estão impactados por uma oferta menor em razão da inflação de custos impulsionada pelo conflito, pela disputa BHP/CMRG (comprador estatal da commodity), com cerca de 14-20 milhões de toneladas de produtos da BHP em estoques que não podem ser tocados e por uma aceleração mais lenta do complexo de Simandou, na Guiné.

Em contrapartida, segundo o banco, a demanda e produção de aço da China está estável em 2026, enquanto as exportações, que foram válvula de escape para a produção siderúrgica no ano passado, também não cresceram, permanecendo no mesmo patamar, ou ligeiramente em queda. “As margens dos fabricantes de aço estão em níveis decentes, suficientes para sustentar uma produção estável, sem sinais de cortes de produção forçados. Em última análise, o mercado de minério de ferro deve ficar relativamente equilibrado este ano.”

Contato: ana.machado@estadao.com

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