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30 de março de 2026
Por Eduardo Laguna
São Paulo, 30/03/2026 – Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil caíram 14,2% em fevereiro, ante o mesmo mês do ano passado, somando R$ 29 bilhões entre bens de capital nacionais e importados. Na comparação com janeiro, as compras de máquinas subiram 8,5%. O balanço foi divulgado hoje pela Abimaq, a associação que representa os fabricantes de máquinas e equipamentos.
Segundo a entidade, os números de fevereiro revelam uma inflexão mais clara do ciclo de investimentos no País. No acumulado do primeiro bimestre, as compras de máquinas recuaram 17,9%, para R$ 55,6 bilhões.
A queda dos investimentos foi quase generalizada entre as atividades econômicas, em especial na agricultura e na indústria de bens de consumo duráveis, onde foram registradas as maiores retrações. Infraestrutura e indústria de base, que ampliaram em 3,9% as aquisições de bens de capital produtivo nos dois primeiros meses do ano, são as exceções.
No mês passado, as compras de máquinas nacionais – um total de R$ 15,1 bilhões – recuaram 18,8% no comparativo interanual. Colocando na conta as exportações, que subiram 5,2% quando convertidas para reais, as vendas totais da indústria de máquinas (R$ 20,6 bilhões) encolheram 13,6% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2025.
A Abimaq observa que o apoio do mercado externo não foi suficiente para neutralizar a retração nas vendas domésticas. Em paralelo, as importações seguem ganhando espaço, com alta de 5,9% ante fevereiro do ano passado, chegando a US$ 2,6 bilhões, sendo que 36% do total (US$ 919 milhões) veio da China. Apesar da queda de 2,7% no primeiro bimestre, as importações de máquinas e equipamentos já representam praticamente metade (49,7%) das máquinas adquiridas no Brasil.
Conforme a Abimaq, a menor participação dos produtos nacionais sugere um problema de competitividade relacionado a fatores estruturais, como custo de produção, escala e financiamento.
O balanço da entidade mostra ainda que cerca de 3 mil postos de trabalho foram fechados nas fábricas de máquinas e equipamentos na passagem de janeiro para fevereiro. O setor agora emprega 414,8 mil pessoas.
O nível de utilização da capacidade instalada no setor registrou leve melhora em relação a janeiro: alta de 0,4 ponto porcentual, para 78,5%. O indicador, explica a Abimaq, ainda não reflete plenamente a desaceleração em curso porque o ajuste na estrutura de produção tende a ocorrer com defasagem.
Contato: eduardo.laguna@estadao.com
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