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27 de março de 2026
Por Gabriela da Cunha
Rio, 27/03/2026 – A transição energética passou a ocupar um espaço central no crédito da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) nos últimos anos. Entre 2023 e 2025, a agência viabilizou aproximadamente R$ 12,4 bilhões para iniciativas do setor, um salto de quase oito vezes em relação ao período de 2020 a 2022. Atualmente, essas operações já representam 30% da carteira de crédito da agência, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O percentual tende a aumentar, já que uma chamada aberta prevê R$ 500 milhões em recursos não reembolsáveis (subvenção econômica).Entre 2020 e 2022, cerca de 15% da carteira contratada pela Finep era composta por iniciativas voltadas a combustíveis, energia e descarbonização. Os dados foram obtidos com exclusividade pela Broadcast.
As iniciativas recebem apoio por meio de diferentes instrumentos (reembolsáveis e não reembolsáveis) da Finep. O presidente da agência, Luiz Antônio Elias, defende que os 749 projetos financiados demonstram a capacidade do Brasil de gerar soluções tecnológicas próprias que ampliam sua competitividade.
“A nossa atuação como indutor estratégico de projetos de alto risco tecnológico atrai investimentos das empresas e eleva a capacidade de conhecimento, transformando o produto na ponta para o mercado interno e para exportação”, avalia.
Entre os projetos financiados estão: o desenvolvimento da agave tequilana, para viabilizar a produção de etanol no semiárido nordestino; eletrolisadores para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono; e um ônibus híbrido-elétrico movido a etanol.
Elias destaca que a estratégia de financiar simultaneamente a expansão fabril e a pesquisa de risco se articula com outras estruturas dentro de uma agenda integrada de desenvolvimento. Entre as parcerias estão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
“Em 2025, lançamos, com o BNDES e a Petrobras, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) de até R$ 500 milhões para micro, pequenas e médias empresas dos setores de transição energética e de descarbonização. E discutimos, no grupo de trabalho com a estatal, novos investimentos em biogás que possam impulsionar essa cadeia”, exemplifica.
contato: gabriela.cunha@estadao.com
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